O BPI teve prejuízos de 161,6 milhões em 2014, um resultado bem mais negativos do que o esperado pelos analistas, que estimavam perdas do banco na ordem dos 91,4 milhões de euros.

Segundo o banco, em comunicado enviado ao regulador dos mercados, o resultado do ano foi penalizado por resultados não recorrentes na atividade doméstica, que tiveram um impacto negativo de 264,3 milhões. Excluindo esses resultados não recorrentes, o lucro líquido consolidado ascenderia a 102,6 milhões.

O contributo da atividade doméstica para o resultado consolidado foi negativo em 287,7 milhões de euros e incorpora 264,3 milhões relativos ao impacto após impostos das menos-valias de 137,5 milhões (105,9 milhões após impostos) realizadas principalmente no 1º trimestre com a venda de Dívida Pública de médio e longo prazo de Portugal e Itália.

Também com os custos de 26,7 milhões (20,5 milhões após impostos) com juros das obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCo), incorridos nos primeiros seis meses do ano, já que os CoCo foram integralmente reembolsados em Junho; custos de 32,5 milhões (23,1 milhões após impostos) relativos a reformas antecipadas, dos quais 6,3 milhões (4.5 M.€ após impostos) foram contabilizados no 4º trimestre;

 A anulação de 50,9 milhões de impostos diferidos (reporte fiscal) relativo aos prejuízos de 2011 (dos quais 30 milhões no 4º trimestre); anulação, no 4º trimestre, de 23,3 milhões de impostos diferidos por alteração da taxa de IRC; e custos não recorrentes diversos de 40,5 milhões após impostos (dos quais 21 milhões no 4º trimestre).

A atividade internacional contribuiu positivamente para os resultados consolidados com um lucro de 126,1 milhões (+32.5% em relação a 2013).

Fernando Ulrich recusou-se a comentar qual será a solução que a instituição financeira pretende dar para cumprir a regulação imposta pelo Banco Central Europeu e que tem a ver com o seu subsidiário em Angola, o BFA.

O BCE quer que o BPI, durante este ano, resolva a situação de ter uma exposição exagerada à dívida soberana de Angola através do Banco de Fomento de Angola, no qual detém 50,1%, correndo o perigo de passar de um rácio de capital (core tier 1) de 12,5% para 10,7%.