O presidente do Conselho de Administração do BIC Angola, Fernando Teles, afirmou hoje que já foi enviada ao Banco de Portugal a proposta de novos administradores do banco em Portugal, minimizando o impasse na escolha do sucessor de Mira Amaral.

“O que aconteceu é que fizemos uma proposta para substituir o conselho e o Banco de Portugal pediu-nos para metermos mais independentes”, afirmou Fernando Teles, em conferência de imprensa, em Luanda.

“Tínhamos 11 administradores, sete deles executivos e quatro independentes. Nos independentes estava incluída a nossa acionista Isabel dos Santos, Américo Amorim e mais dois revisores oficiais de contas independentes”, explicou o banqueiro angolano.

No entanto, as críticas do Banco de Portugal obrigaram à revisão dos estatutos “para aumentar de 11 para 15” o número de administradores.

“O Banco de Portugal pediu-nos para metermos mais independentes e nós respondemos na quinta-feira da semana passada”, afirmou o banqueiro angolano, que insistiu no sucesso da atividade do BIC em Portugal, após a compra de parte do BPN.

Na conferência de imprensa, Fernando Teles rejeitou que exista algum “problema de idoneidade por isto ou por aquilo” dos administradores propostos anteriormente ao Banco de Portugal, salientando que o que está a bloquear o processo é uma investigação judicial a “uma empresa supervisionada pelo Banco de Portugal, chamada MoneyOne”, suspeita de lavagem de dinheiro.

“Em todos os relatórios não foi detetado nada de ilegal” que envolvesse o BIC, que já abriu um inquérito ao caso, concluindo: “não há trabalhadores nossos que possam ser” ligados a uma eventual lavagem de dinheiro.

“A nossa atividade em Portugal tem sido um êxito”, com depósitos de 5,4 mil milhões de euros, depois das negociações com o governo português para a aquisição do antigo BPN, referiu.

O BIC “foi um banco que deu o salto”, disse Fernando Teles, recordando que houve um compromisso de ficar com 750 trabalhadores do BPN, um número que acabou por ser na ordem dos 1.100 funcionários.

“Era para termos fechado 72 balcões, acabamos por fechar 24”, recorda o banqueiro angolano, considerando que “o BIC fez uma boa gestão em Portugal, tem um bom banco em Portugal, um banco sólido”.

O mandato dos atuais órgãos sociais do BIC terminou em dezembro e estava convocada uma assembleia-geral de acionistas para 18 de fevereiro para definir os responsáveis que iriam assumir os destinos do banco durante os próximos anos.

De acordo com a informação recolhida pela Lusa em janeiro, Jaime Pereira, vice-presidente da comissão executiva do Banco BIC Português era o nome escolhido para a presidência executiva do BIC em Portugal, sucedendo a Mira Amaral.