Os pequenos acionistas do BES anunciaram esta terça-feira que formalizaram a sua constituição como associação e que mandataram a direção eleita para processar os responsáveis pela degradação da situação económica e financeira do banco.

O Movimento de Pequenos Acionistas do BES realizou sábado a sua Assembleia-Geral constituinte, que contou com a participação de cerca de 100 membros deste movimento, que aprovaram os estatutos da associação, elegeram os seus dirigentes e mandataram a direção para desenvolver um conjunto de iniciativas para a defesa dos seus direitos.

A Assembleia-Geral mandatou a direção, nomeadamente, para «agir judicialmente, com vista ao apuramento da verdade material dos factos que levaram à derrocada do Banco Espírito Santo S.A. e à responsabilização de todos os agentes que, direta ou indiretamente, intervieram nesse mesmo processo, e cuja atuação, dolosa ou negligente, tenha contribuído para a degradação da situação económico-financeira do Banco».

A direção foi também mandatada para «estabelecer os contatos necessários e indispensáveis à escolha dos seus representantes legais, com vista à obtenção de um possível acordo extrajudicial compensatório dos prejuízos causados aos Pequenos Accionistas do BES».

A Assembleia-Geral mandatou ainda a direção para estabelecer todos os contactos institucionais, quer a nível nacional, quer a nível internacional, com todos os grupos de lesados pela medida de resolução aplicada ao Banco Espírito Santo, e estabelecer todas as medidas necessárias à «criação de uma ampla plataforma de defesa dos seus direitos».

A Assembleia considerou necessário sensibilizar a opinião pública para o facto de «os pequenos acionistas não serem, na sua generalidade, pessoas com elevadas capacidades financeiras, mas pessoas com maiores ou menores rendimentos, que, impelidas por promessas de rendibilidades superiores efetuadas pelos seus gestores de conta e fundeadas na segurança institucional que o nome Espírito Santo conferia aos seus investimentos, decidiram colocar uma parte das suas poupanças nesses instrumentos financeiros».

«Desta forma, merecem a mesma tutela institucional e legal que os demais intervenientes neste processo mereceram e continuam a merecer», defenderam os membros da associação num comunicado divulgado esta terça-feira.