O Banco de Portugal espera apresentar «no início de 2015» uma pasta com informação «aos potenciais» interessados na compra do Novo Banco.

«É esperado que, no início de 2015, seja distribuído um dossiê de informação aos potenciais adquirentes, para que possam apresentar as suas propostas de aquisição», diz a entidade numa nota enviada à comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo e do Grupo Espírito Santo, a que a Lusa teve acesso.

A entidade liderada por Carlos Costa assinala também que espera iniciar até ao final do ano o «processo de contacto ativo com potenciais interessados para aferir do seu interesse em encetar negociações».

O banco central sinaliza ainda que o processo de venda do Novo Banco «será desenvolvido com observância dos princípios de transparência e tratamento equitativo dos interessados».

Esta semana, ouvido no parlamento na comissão de inquérito, o governador do BdP havia já revelado que espera que as ofertas indicativas para a compra do Novo Banco cheguem no começo do próximo ano e as vinculativas entre abril e «meio do segundo trimestre».

Carlos Costa disse haver «indicação de que há interessados», acrescentando que, se for encontrada uma solução na qual seja garantida, por exemplo, a «concessão de crédito necessária" à economia, ter-se-á "passado ao lado de uma tempestade».

O governador reconheceu ainda que pode ser feito um «pequeno desconto» na venda do banco face ao dinheiro injetado pelo Fundo de Resolução (4,9 mil milhões de euros).

A comissão de inquérito arrancou na segunda-feira (dia 17 de novembro) e terá um prazo de 120 dias, que pode eventualmente ser alargado, e tem por intuito «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos, as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».

A 03 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.