Terminou às 20:00 desta sexta-feira o prazo para os candidatos à compra da posição de 60,5% que o Estado detém no banco. A TVI apurou esta quinta-feira que o banco já recebeu pelo menos três propostas de compra, aguardando-se agora um comunicado do banco sobre a matéria.

Recorde-se que a Comissão de Mercado e Valores Mobiliários suspendeu a negociação das ações do banco na Bolsa de Lisboa esta quinta-feira, com o regulador a aguardar "a prestação de informação relevante sobre a sociedade emitente”.

O Estado é o principal acionista do Banif desde que, no final de 2012, fez um aumento de capital de 700 milhões de euros no banco, além de ter injetado mais 400 milhões de euros em instrumentos de capital contingente, os chamados 'CoCos', tendo o banco só devolvido até agora 275 milhões de euros. 

O primeiro-ministro, António Costa, disse esta sexta-feira ter "esperança" de que, ainda hoje, surjam propostas para o Banif que dispensem a necessidade de um Orçamento de Estado retificativo para 2015.  

Também esta sexta-feira a agência de notação financeira Moody’s colocou o  rating do Banif sob revisão e admitiu um possível corte, referindo que a fragilidade dos indicadores financeiros e os recentes desenvolvimentos ameaçam a viabilidade da instituição.  

Entretanto, a menos de uma hora do fim do prazo o banco anunciou à CMVM que vai vender a posição de 78,46% que detém no Banif Bank, em Malta, por 18,4 milhões. O ativo já estava à venda há mais de um ano, no seguimento do plano acordado com Bruxelas. Falta também vender a seguradora Açoriana. 

A Comissão Europeia - cuja Direção-Geral da Concorrência tem aberta já há algum tempo uma investigação às ajudas prestadas pelo Estado ao Banif - afirmou recentemente num documento que tem "as maiores dúvidas" de que o banco consiga devolver o dinheiro público. 

O 'contrarrelógio’ para encontrar rapidamente uma solução para o Banif está relacionado com a entrada em vigor, a 01 de janeiro de 2016, da nova legislação europeia sobre a liquidação e reestruturação de instituições bancárias, que impõe que obrigacionistas seniores e grandes depositantes (acima de 100 mil euros) paguem parte de uma eventual resolução.