O Banif anunciou esta segunda-feira que o número de ações solicitadas no âmbito do aumento de capital de 100 milhões de anos foi superior às disponibilizadas, tendo a distribuição dado prioridade aos subscritores que apresentaram mais solicitações.

De acordo com informação divulgada pelo Banif na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o fator de rateio foi de 0,6, o que significa que foram solicitadas 16,1 mil milhões de ações para uma oferta de 10 mil milhões.

Em termos financeiros, a procura apresentou um valor de 161,8 milhões de euros para uma oferta de 100 milhões.

«Tendo o total de acções solicitadas sido superior ao número máximo de acções disponíveis, procedeu-se a rateio das mesmas, com aplicação do critério de rateio previsto no prospecto, tendo sido as acções atribuídas aos subscritores proporcionalmente ao número de acções que foram solicitadas na respectiva ordem de subscrição», explicou o Banif no comunicado.

O banco adianta ainda que as ações que não foram atribuídas assim, «foram sorteadas, por uma só vez, para subscrição por entre os investidores que não tenham visto integralmente satisfeitos os seus pedidos de subscrição».

No entanto, sublinha o Banif, a oferta de ações «encontra-se dependente da realização da Operação Pública de Subscrição de obrigações que irá decorrer entre 24 e 26 de julho».

A segunda fase do aumento de capital, num montante de 100 milhões de euros, com a venda ao público de ações a um cêntimo, deu também a possibilidade de adquirir obrigações com uma taxa de juro anual de 7,5 por cento.

A oferta de subscrição de ações, que teve início no princípio de julho, tem estado a pressionar o valor do Banif, tendo, no dia 15, chegado a um mínimo histórico de quatro cêntimos por ação.

Em janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas CoCo bonds), no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Em contrapartida, até final de junho, o Banif ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados, e comprometeu-se a devolver ao Estado 150 milhões de euros do financiamento público que obteve através das CoCo bonds.

No entanto, até final do mês passado, o Banif apenas aumentou o seu capital em 100 milhões de euros, que foi subscrito pelos seus principais acionistas (a holding Rentipar, através da Açoreana Seguros, e do grupo Auto-Industrial), reduzindo a participação do Estado no Banif para 86,881 por cento.

Se for concretizado, o aumento de capital vai reduzir a participação do Estado para 77,3% e permitirá ao banco ter o capital suficiente para pagar os 150 milhões de euros ao Estado do financiamento que obteve.