O líder do Banco Santander Totta, António Vieira Monteiro, evitou esta quarta-feira comentar as declarações feitas na véspera pelo ex-presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, dizendo que a sua única preocupação é o futuro da instituição que adquiriu.

"A única coisa que lhe poderei dizer é que durante muitos anos o banco apresentou prejuízos sistematicamente, e quando chegamos à situação em que as autoridades tiveram que intervir, não foi por acaso", afirmou o presidente do Santander Totta durante a conferência de imprensa de apresentação das contas de 2015.


"O passado não é nosso. Nós só comprámos o futuro", destacou.


Na terça-feira, Jorge Tomé disse que o que se passou com o banco foi uma "liquidação forçada", considerando que a proposta do Santander Totta de compra dos ativos do banco poderia ter sido melhor.

A 20 de dezembro, domingo ao final da noite, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros e a transferência de outros ativos - incluindo ‘tóxicos' - para a nova sociedade veículo Oitante. 

A resolução foi acompanhada de um apoio público de 2.255 milhões de euros, a que se somam duas garantias bancárias do Estado, no total de 746 milhões de euros. 

Com a resolução, o Estado perde ainda os 825 milhões de euros da injeção de capital que fez no final de 2012 no banco. Então, o Estado investiu 700 milhões em ações e 400 milhões de euros em dívida híbrida – ‘CoCo bonds' - dos quais o Banif só devolveu 275 milhões.