O Banif - terceiro banco cotado de Portugal - teve um lucro de 16,1 milhões de euros (ME) no primeiro semestre de 2015, contra o prejuízo de 97,7 ME há um ano atrás, com uma robusta subida da margem financeira e uma forte queda das imparidades de crédito, anunciou o Banif.

"O resultado líquido positivo (...) reflete os efeitos das medidas que estão a ser implementadas no âmbito do Plano de Restruturação do Banco e que visam uma profunda transformação do seu modelo de negócio, bem como, assegurar a sua viabilidade num contexto económico e regulamentar extremamente desafiantes", disse, citado pela Reuters.

Adiantou que a margem financeira - diferença entre os juros cobrados no crédito e os juros pagos pelos depósitos - subiu, em termos homólogos, 25,1% para 55,9 ME nos seis meses de 2015, "beneficiando essencialmente do menor custo de funding, sobretudo ao nível dos depósitos".

Contudo, a penalizar aquela margem financeira esteve o custo de 6,1 ME com juros da cara ajuda estatal que pediu para se recapitalizar (CoCo's), bem como foi prejudicada pela redução do volume de crédito e pela permanência das taxas de juro de referência em valores mínimos históricos.

Em relação ao trimestre anterior, a margem financeira cresceu 24,5% para 31 ME no segundo trimestre de 2015.

O crédito bruto a clientes caiu 3,1% face a Dezembro de 2014 para 7.658 ME em Junho de 2015, enquanto os depósitos desceram 3,5% para 6.271 ME após terem sido encerradas 41 agências nos seis meses do corrente ano.

No primeiro semestre de 2015, as comissões líquidas subiram 22% para 34,9 ME, mas os ganhos de 'trading' caíram 45,5% para 44,5 ME dado que encaixou apenas 44,7 ME com mais-valias da venda de dívida pública portuguesa versus 90,7 ME há um ano.

As provisões e imparidades líquidas tiveram uma descida homóloga de 62,6% para 54 ME entre Janeiro e Junho do corrente ano, tendo as imparidades de crédito descido 75,8% para 29,1 ME.

"Esta redução significativa (das imparidades de crédito) (...) deve-se, em boa parte, ao facto de no primeiro semestre de 2014 se ter registado uma imparidade extraordinária relacionada com a exposição ao GES (Grupo Espírito Santo)", disse o Banif.

Afirmou que os custos de estrutura reduziram-se 24,5% para 81,2 ME, beneficiando do processo de reestruturação, com "a aceleração do encerramento de agências e do programa de redução do quadro de colaboradores".

O Banif explicou que o lucro das unidades operacionais descontinuadas totalizou 36,4 ME no primeiro semestre de 2015, e incorpora a mais-valia de 49,1 ME com a venda da participação na Banif Mais SGPS, que compara com um prejuízo de 27 ME há um ano atrás.

No final de Junho de 2015, o rácio 'Common Equity Tier 1' (CET1), com as regras da CRD IV/CRR em regime transitório, situou-se em 8,4%, o mesmo nível que em Dezembro de 2014.

Afirmou que o financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE), entre Dezembro de 2014 e o presente momento, baixou em cerca de 410 ME para 1.259 ME.