O Fundo Monetário Internacional vem alertar que os problemas no sistema bancário da Europa, em particular dos bancos portugueses e italianos, são um dos riscos para a economia mundial até 2017. Para além disso, elenca outros, como as divisões políticas e o Brexit.

Na atualização do World Economic Outlook divulgada, o FMI justifica a revisão em baixa das projeções precisamente com o resultado do referendo no Reino Unido, que ditou a saída do país da União Europeia. No entanto, o certo é que identifica uma série de outros riscos que podem ainda materializar-se, considerando que "se tornaram mais salientes".

Um deles, lá está, é "o legado de problemas por resolver no sistema bancário europeu, em particular nos bancos italianos e portugueses".

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O FMI espera agora um crescimento mais lento da economia global: 3,1% este ano e 3,4% no próximo. O corte é de 0,1 pontos percentuais tanto em 2016 como em 2017.

A revisão deveu-se ao desempenho esperado das economias desenvolvidas, cuja estimativa de crescimento caiu para 1,8% este ano e também em 2017. 

No início deste mês, o FMI voltou a rever em baixa as previsões de crescimento da economia da zona euro para 2017, também com o Brexit a ser a principal razão para este pessimismo.

Quanto a Portugal, no final de junho o FMI cortou as previsões de crescimento de 1,4% para 1% este ano, sendo que a economia só irá criar 1,1% de riqueza no ano seguinte. A queda no investimento e o abrandamento das exportações são as principais razões para esta revisão.

Em entrevista à TVI, o chefe da missão do FMI em Portugal, Subir Lall, pediu medidas adicionais para alcançar o défice previsto pelo Governo, de 2,2% este ano.

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Já o Brasil também é destacado e igualmente alvo de uma revisão de estimativa. Espera-se agora uma recessão de 3,3%, o que representa uma melhoria de 0,5 pontos percentuais face ao previsto em abril. Para 2017, espera uma expansão de 0,5% do PIB. "A confiança dos consumidores e empresários parece ter já batido no fundo no Brasil, e a recessão do PIB no primeiro trimestre foi mais leve que a antecipada", refere o FMI.