O inspetor-geral da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) confirmou hoje que este órgão está a acompanhar a situação dos trabalhadores do Novo Banco “no terreno”, sem detalhar quais as ações em causa.

Questionado pela Lusa sobre a denúncia do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) relativamente a trabalhadores do Novo Banco que terão sido impedidos de entrar no banco para trabalhar, Pedro Pimenta Braz disse que a ACT está “a acompanhar a situação” e que já se deslocou ao local.

O inspetor-geral da ACT não quis adiantar mais pormenores sobre o assunto por estar obrigado ao sigilo.

Na quarta-feira, o dirigente sindical do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI), Paulo Alexandre, disse à Lusa que a estrutura sindical apresentou uma queixa à ACT e enviou uma carta à administração do Novo Banco a pedir explicações sobre esse tema.

O jornal Público noticiou na terça-feira que, pelo menos, uma centena de trabalhadores do Novo Banco que se recusaram a assinar as rescisões por mútuo acordo receberam uma carta a dispensá-los de se apresentarem ao serviço e que, segundo relatos, uma parte dos trabalhadores envolvidos não terá mesmo conseguido mesmo entrar nas instalações onde trabalhava.

O Novo Banco foi criado no início de agosto de 2014 na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES) como banco de transição, detido na totalidade pelo Fundo de Resolução bancário.

No âmbito da reestruturação acordada entre as autoridades portuguesas e a Comissão Europeia, o Novo Banco tem de reduzir em 1.000 pessoas o número de efetivos até ao final do ano e de cortar em 150 milhões de euros os custos operativos.

No entanto, como parte significativa dos funcionários já tinha saído, nomeadamente através de um programa de reformas antecipadas, e a venda de unidades no estrangeiro implicará também a redução de pessoal, a dispensa de trabalhadores estimada pelo Novo Banco para este ano ascendia a 500, pelo que foi aberto um processo de rescisões por mútuo acordo.

Uma vez que nem todos os funcionários a quem foi proposta essa saída a aceitaram, o banco vai avançar com um processo de despedimento coletivo, que o Jornal de Negócios noticiou que irá abranger menos de 100 trabalhadores.

O Novo Banco teve prejuízos de 980,6 milhões de euros no ano passado, justificando mais de metade dos resultados negativos ainda com o "legado" que recebeu do Banco Espírito Santo (BES).