Manhã negativa nas praças europeias e com Lisboa a não ser exceção. Os investidores concentram atenções na evolução das ações do BCP e também na evolução dos juros da dívida portuguesa, sobretudo nas maturidades mais elevadas, após o primeiro teste feito ao mercado ontem.

Logo no início da sessão as ações do BCP desceram abaixo dos 80 cêntimos por título para um mínimo de 0,7903 euros. Uma perda que já vai em cerca de 24% do valor desde que a instituição anunciou, na passada segunda-feira, um aumento de capital de até 1.332 milhões de euros.

Em comunicado o BCP comunicou que o preço de subscrição das ações no âmbito do aumento de capital foi fixado em 0,094 euros por cada título, o que compara com os 1,0412 euros por ação no fecho antes do anúncio. Ou seja, o preço de subscrição representa um desconto de aproximadamente 38,6% face ao preço teórico ajustado ex-right [sem direitos associados].

Segundo disse, Paulo Rosa, da sala de mercados do Banco Carregosa, à TVI, "é normal as ações caírem quando é pedido dinheiro aos acionistas para honrar compromissos e não para expandir o negócio. E é a prova cabal de que o BCP não estava a conseguir gerar receitas para pagar as suas dívidas".

A penalizar, também, o título dos CTT, desce 1,41% para 6,211 euros. Ontem, os Correios comunicaram que angariaram "mais de 100 mil clientes" em nove meses de atividade do Banco Postal. Mas ao mesmo tempo, noticia o Negócios, a instituição prevê um novo aumento de capital até julho o que, obviamente, está a deixar os investidores apreensivos.

Ainda no mercado de ações mas no resto da Europa, as bolsas estão em queda, penalizadas pelas ações do sector de saúde após o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ter elegido como alvo os preços de medicamentos das farmacêuticas, na primeira conferência de imprensa que deu depois das eleições, ontem.

Os índices acionistas dos Estados Unidos fecharam em alta após um dia volátil, com ganhos na energia e tenologia a compensarem um declínio nas ações do sector de saúde.

Voltando a Portugal, e ao mercado da dívida, na maturidade a 10 anos Portugal desce hoje abaixo da fasquia dos 4%, nos 3,9260%, menos do que teve que pagar ontem no primeiro teste do ano ao mercado. A República pagou um preço alto pela sua primeira colocação sindicada - feita junto de bancos - de obrigações a 10 anos. Colocou 3.000 milhões de euros mas pagou o juro mais elevado, numa operação comparável, desde que a Troika esteve em Portugal.

À TVI, Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa disse que “já se esperava uma taxa acima dos 4% e até saiu um pouco mais baixa do que se antevia, portanto não foi surpresa e, nesse sentido, correu bem. Aliás, por ser uma operação sindicada, estava garantida à partida".

Realçando que "a taxa  saiu acima do custo médio da dívida portuguesa (que é de 3,4%), por isso, vem encarecer as condições em que o país se financia".

Filipe Silva reconhece, no entanto, que "o facto de estar acima dos 4% não é novo -  tivemos essa taxa em março e no último trimestre, de 2016. Se compararmos com a taxa de há um ano, de janeiro de 2016, a diferença é bastante maior. Nessa altura emitimos dívida a 10 anos com uma taxa de 2,875%. Ou seja,  o risco, num ano, subiu. É caso não para alarmes, mas para cautela.”