Mais de 300 pessoas manifestaram-se hoje junto à Caixa Geral de Depósitos (CGD), em Darque, Viana do Castelo, contra o encerramento daquele balcão, previsto para o final do mês, exibindo cartazes e gritando "queremos a caixa".

O protesto foi convocado pela CDU de Viana do Castelo e ele se associaram os representantes das nove freguesias afetadas pelo encerramento.

Entre os populares, havia muitos idosos, incluindo Fernanda Campainhas, de 80 anos. Indignada, a mulher apontou para as muletas que lhe garantem ainda alguma mobilidade, mas não a suficiente para apanhar os transportes públicos para levantar a reforma "no banco de toda a vida".

A minha reforminha vem para aqui e eu não posso subir para a camioneta para ir a Viana e não tenho quem que possa ir buscar a minha reforma. Faz muita diferença, a mim e muitas senhoras como eu. Somos velhos e doentes", afirmou a idosa de Darque.

A confirmar-se o encerramento daquele balcão, a população das nove freguesias afetadas, com cerca de 30 mil habitantes, terá que recorrer às duas agências situadas na margem direito do rio Lima, na cidade de Viana do Castelo.

Elisabete Lopes, da freguesia vizinha Mazarefes, disse nem quer pensar no encerramento do balcão.

Tenho que me dirigir à cidade. Vai-se de camioneta, mas também se tem de andar um pedaço a pé, às vezes sem se poder. Se se vai de carro paga-se para o deixar na avenida [parque de estacionamento] e está-se horas e horas porque o povo é muito. Não se justifica, nem pensar. Pelo amor de Deus, não tem lógica nenhuma", afirmou.

A vereadora da CDU na Câmara de Viana do Castelo, Cláudia Marinho destacou a importância "da descentralização dos serviços públicos, correspondendo aos anseios e necessidades das populações afetadas, que serão forçadas a deslocar-se à cidade, com todos os transtornos e perdas de tempo que isso irá implicar nas suas vidas".

A vereadora comunista sublinhou "não existir uma rede de transportes públicos eficaz", situação que irá "dificultar ainda mais" a vida das pessoas.

"Depois do encerramento do posto dos CTT, Darque continua a ser esvaziada de determinados serviços. Toda esta zona é a que mais sofre com a perda de serviços", alertou.

Já o presidente da Comissão Administrativa da Freguesia de Darque, Fernando Garcez, em representação das nove freguesias afetadas pelo encerramento, disse que se trata de "uma situação muito lesiva".

Nós perguntamos se esta Caixa tem menos negócios. Não tem. Se emite menos cartões de crédito. Não emite. Se o volume de negócios baixou. Não baixou. Não há razões plausíveis que justifiquem este encerramento. Só por erro estratégico, por má avaliação. Isto é completamente lesivo", referiu.

Fernando Garcez destacou que além de estar em causa "o bem-estar do povo", aquela medida vai ter "um forte" impacto na atividade económica daquela região.

"A Associação Empresarial de Viana do Castelo tem nesta zona 160 associados. São Romão de Neiva tem uma força pujança industrial. Darque tem uma forte pujança industrial e comercial", reforçou, sublinhado que "algo tem de ser feito para reverter esta situação"

Vamos até ao fim. Estamos à espera que a administração da CGD nos receba, em Lisboa. Temos feito insistentes esforços nesse sentido. Vamos até Lisboa. Vamos a todo o lado para manter a Caixa a funcionar", disse.

A freguesia de Darque chegou a ser servida por cinco agências bancárias e, a confirmar-se o encerramento do balcão da CGD, inaugurado em 1989, ficará apenas com um banco.