Os 50 estivadores profissionais do Porto de Aveiro correm um «sério risco» de nas próximas semanas serem despedidos, avisou esta quarta-feira o presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal, António Mariano.

«Os trabalhadores profissionais do Porto de Aveiro correm um sério risco de nos próximos dias, semanas ou meses também irem para o despedimento», alertou o dirigente sindical numa conferência de imprensa realizada em Lisboa.

O Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal é o anfitrião de um encontro entre o IDC ¿ International Dockworkers Council e a ETF ¿ Federação Europeia de Transportes, as duas federações mundiais de sindicatos de estivadores, que decorre esta quarta-feira em Lisboa.

No encontro, estiveram ainda presentes vários sindicatos de base pertencentes às duas estruturas internacionais, bem como representantes sindicais de portos portugueses.

Na conferência de imprensa, António Mariano referiu ainda que a situação vivida pelos estivadores profissionais nos portos de Lisboa e de Aveiro foi «analisada e discutida» no encontro e chegou-se à conclusão que «a questão em Portugal não está eliminada [com o acordo alcançado no Porto de Lisboa] e que os problemas que se vivem não se circunscrevem a Lisboa».

«Se travámos o processo de despedimento dos estivadores profissionais do Porto de Lisboa, já os estivadores do Porto de Aveiro estão agora no ponto em que estavam [inicialmente] os estivadores do Porto de Lisboa [antes de se ter alcançado o acordo]», advertiu.

Segundo o dirigente sindical, por agora, o sindicato vai ser «solidário» com os estivadores de Aveiro e encetar negociações com as empresas e a tutela.

«Privilegiamos, nesta fase, o diálogo para tentarmos ultrapassar a questão, mas se não for possível todos os companheiros presentes no encontro estão atentos ao que se está a passar e não vão permitir que o processo de despedimento coletivo no Porto de Aveiro vá por diante», sublinhou.

O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul de Portugal entende que os trabalhadores profissionais devem ser sempre colocados em primeiro lugar e só, «no caso do trabalho ser muito, eventualmente, recorrer-se-á a trabalhadores precários».

«É isso que se passa nos portos europeus e Portugal não é exceção», rematou.

No encontro, os estivadores manifestaram-se igualmente contra a situação que se vive na Grécia, mais concretamente no porto de Pireu, que está a ser «varrido por uma onda de liberalização», afetando os estivadores profissionais, e tentando acabar com o papel do Estado num porto «de vital importância para o país».