Os voos de Caracas para Lisboa estão praticamente esgotados até junho, confirmou esta segunda-feira a operadora aérea portuguesa à Lusa, considerando que é uma «situação excecional» e garantindo que já foram tomadas medidas até «ao limite da capacidade» da TAP.

«Há uma procura muitíssimo forte que já dura há meses e que provoca que as reservas dos voos também para os próximos meses estejam com uma ocupação absolutamente excecional, praticamente a 100% até junho», disse o porta-voz da TAP, António Monteiro, escusando-se a comentar os contornos e as razões deste «período excecional em termos de reforço da procura».

A ligação Caracas-Lisboa registou um aumento de 13,8% em número de passageiros entre janeiro e novembro, disse o responsável, notando que no inverno há três voos por semana, que no verão passam a um por dia.

Questionado sobre se a TAP vai aumentar a frequência dos voos ou encontrar uma solução para os passageiros que querem viajar de Caracas para Portugal, António Monteiro respondeu que «a TAP já reforçou as suas frequências até ao limite da sua capacidade atual, já que os aviões de longo curso estão a ser utilizados no limite da sua capacidade, ou seja, não há aviões disponíveis».

A falta de aviões, apontou, prende-se com as duas novas linhas que vão ser abertas para Bogotá e para o Panamá.

«Temos novas rotas no Brasil e na América do Sul (em Bogotá e Panamá), só o podemos fazer com a entrada de dois novos aviões, em junho», acrescentou o porta-voz da companhia aérea portuguesa.

A TAP não é a única a registar uma afluência excecional. Já em dezembro, a American Airlines suspendeu a venda de bilhetes aéreos para viagens com partida da Venezuela, em qualquer tipo de moeda, segundo a agência Bloomberg.

A suspensão da venda de bilhetes da American Airlines tem lugar depois de a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) revelar que existe preocupação do setor por atrasos de parte do Governo venezuelano em autorizar as operadoras a repatriar 2,6 milhões de dólares.

Na Venezuela vigora desde 2003 um sistema de controlo cambial extremamente apertado que impede a livre obtenção de moeda estrangeira no país, cuja distribuição é controlada pela Comissão de Administração de Divisas (Cadivi).

Os empresários venezuelanos queixam-se com frequência de atrasos na autorização de divisas, que têm uma cotação oficial de 6,30 bolívares por cada dólar norte-americano, mas cujo valor é até sete vezes superior no mercado paralelo.

Além da alta inflação de quase 50% em 12 meses, os venezuelanos queixam-se de dificuldades para comprar produtos básicos como farinha de milho, arroz, margarina, açúcar, óleo, leite em pó e pasteurizado, papel higiénico, entre outros.