A comissão de trabalhadores da TAP considera a discussão de uma eventual requisição civil em Conselho de Ministros mais uma «provocação», preferindo que o Governo se ocupasse de defender o que consideram «interesse nacional».

«Isto é provocação atrás de provocação. Era muito mais bem empregue o tempo de uma reunião de conselho de ministros se eles reforçassem a ideia da defesa dos interesses e da soberania nacionais, não privatizando a TAP. Ia ser um esforço muito mais bem empregue. Isso da requisição civil, estão a pôr em causa a lei da greve. Isso é muito perigoso», afirmou Vítor Baeta, porta-voz dos funcionários da companhia aérea, após um de vários encontros com grupos parlamentares.

O primeiro-ministro, Passos Coelho, afirmou esta quarta-feira que o executivo da maioria PSD/CDS-PP vai analisar no Conselho de Ministros de quinta-feira uma eventual requisição civil para a TAP e tomará todas as medidas possíveis para garantir a normalidade de serviços da transportadora aérea.

«Que Governo é este que privatiza tudo o que é estratégico? Estamos a falar em vender o maior exportador nacional, cujos trabalhadores metem nos cofres do Estado 100 milhões de euros por ano para IRS e outros 100 milhões para Segurança Social», alertou o representante de trabalhadores da TAP.

Os 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP - grupo que entretanto o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, afeto à UGT, abandonou - convocaram a greve na sequência da recusa do Governo em suspender o processo de privatização.

«Estamos a desprezar uma companhia com um impacto económico, com tudo o que se movimenta a montante e a jusante, de mais de 25 mil milhões de euros. Isto é para oferecer de mão beijada a um ou outro amigo estrangeiro ou nacional? Pensamos que não», concluiu.