O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) desafiou a administração da TAP e o Governo a desistirem da privatização da companhia aérea, admitindo "tudo fazer" em conjunto com outros sindicatos para travar o processo.

"Ao Governo e ao Conselho de Administração [da TAP] fazemos um desafio e um aviso muito sérios: querem acabar com as lutas e com a agitação laboral? Então acabem de vez com este processo de privatização, porque se o não fizerem, o SITAVA garante solenemente que a luta irá continuar e em unidade com os outros sindicatos”, afirma o sindicato em comunicado esta sexta-feira.

O SITAVA acrescenta “que tudo fará para travar o passo ao Governo e ao Conselho de Administração e evitar que a TAP seja mais uma grande empresa nacional entregue ao capital privado a preços de saldo".

No oitavo de 10 dias de greve de pilotos da TAP e da Portugália convocada pelo Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil (SPAC), o SITAVA assegura que o eventual comprador da transportadora aérea vai "comprar também uma luta com os trabalhadores, que jamais aceitarão ser roubados nos seus salários e espoliados nos seus direitos".

Para este sindicato, a defesa dos trabalhadores das empresas do Grupo TAP justifica "um esforço de unidade" para "obrigar o Governo a recuar e a suspender de imediato o processo de privatização em curso", para abrir depois espaço "a um diálogo franco, tanto interno como externo, que conduza à resolução de todos os conflitos, à paz laboral e à recapitalização pública da TAP".

O SITAVA considera que a privatização da empresa está por trás da "instabilidade" no grupo e aponta que "nenhum trabalhador faz greve por gosto" e que "uma greve nunca tem como objetivo causar danos às empresas".

"Eventuais prejuízos provocados por uma greve, a verificarem-se, resultam sempre do facto de os trabalhadores encontrarem do outro lado da mesa negocial apenas interlocutores 'surdos' às verdadeiras razões das lutas, não lhe restando por isso outra forma de se fazer ouvir", explica o sindicato.

O SITAVA foi um dos três sindicatos, juntamente com o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil (SINTAC) – que em conjunto afirmam representar mais de metade dos trabalhadores sindicalizados do grupo TAP -, que ficaram de fora de um acordo assinado com o Governo, que prolonga a vigência dos acordos de empresas durante 36 meses após a venda da companhia aérea liderada por Fernando Pinto.

Para este sindicato, o Governo "tentou vender um acordo no qual pretendia apenas manietar os trabalhadores e amarra-los a promessas e falsas garantias que, – como está hoje amplamente demonstrado – nada garantem nem para a empresa nem para os trabalhadores".

O SPAC, que cumpre o oitavo de 10 dias de paralisação, remeteu  para uma próxima assembleia-geral a decisão de convocar uma nova greve e realçou que os custos de um acordo com a TAP são inferiores aos do impacto desta paralisação.