O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) culpou esta quinta-feira a administração da TAP, liderada por Fernando Pinto, pelos prejuízos de 46 milhões de euros que a transportadora registou em 2014, lamentando a «impunidade» face a «erros e omissões».

«Os prejuízos de 46 milhões de euros, ocorridos na TAP em 2014, decorreram diretamente de graves erros e omissões da sua administração», defendeu hoje em comunicado a direção do SPAC, criticando, em primeiro lugar, «a abertura prematura e precipitada de novas linhas, sem que estivessem assegurados os recursos necessários para esse efeito, nos planos das tripulações e das aeronaves».

A direção do SPAC, liderada por Manuel Santos Cardoso, aponta ainda o dedo às «preocupantes avarias nos aviões e a instituição, pela mesma administração, de um relacionamento de confronto deliberado com os representantes dos trabalhadores para iludir os efeitos dos irrefutáveis erros de gestão que se vão sucedendo no grupo».

Neste contexto, o SPAC lamentou «a impunidade da administração perante a degradação estrutural e continuada do balanço do grupo, ao longo da última década, bem patente na acumulação sistemática de prejuízos, sob os mais diversos pretextos, e que ascendeu a 458 milhões de capitais próprios negativos, em 31 de dezembro de 2014».

A companhia aérea TAP fechou 2014 com prejuízos de 46 milhões de euros, após cinco anos consecutivos com resultados positivos, o que foi justificado pelos problemas operacionais e greves do segundo semestre.

Segundo a companhia aérea, a entrada tardia em operação dos novos aviões, 22 dias de greve, anunciadas ou efetuadas, no segundo semestre, e o registo de algumas ocorrências operacionais, tiveram um impacto de 108 milhões de euros.

«Sabíamos que íamos ter um ano difícil e foi o que aconteceu. Infelizmente, os resultados não foram bons», afirmou o presidente da TAP, Fernando Pinto, em conferência de imprensa.

De acordo com a transportadora, «a situação de alguns mercados teve também uma influência negativa, em especial o Brasil - devido a fatores internos e à realização do campeonato mundial de futebol, período durante o qual houve uma quebra da tarifa média, devido a mudanças das características do tráfego e a excesso de oferta».

Também os voos para África registaram uma quebra na tendência de crescimento, com origem em fatores como o vírus Ébola, além da instabilidade social vivida em alguns países. A tudo isto, acresce ainda o saldo negativo da evolução cambial.

Apesar dos prejuízos, a TAP aumentou em 6,6% o volume de passageiros transportados, chegando ao número recorde de 11,4 milhões, mais 711 mil passageiros do que em 2013, com destaque para o crescimento de 8% na Europa e de 10% nos Estados Unidos.