A ex-secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, afirmou que a privatização da TAP «põe em risco, fortemente, a atratividade do sector aéreo em Portugal», defendendo que o Estado deve manter a maioria das ações da empresa.

À margem de uma conferência sobre transportes públicos, integrada na IV Convenção "O papel do Estado nos sectores estratégicos”, que decorreu esta quarta-feira à noite na Federação da Área Urbana de Lisboa do Partido Socialista, a ex-secretária de Estado dos Transportes e atual deputada do PS considerou que «poderá existir abertura a parceiros privados [interessados na TAP] mas mantendo o Estado a maioria do capital.

Para Ana Paula Vitorino, a TAP é «uma empresa de referência quer para a economia, quer para a entidade nacional”, sendo que qualquer intervenção nesta operadora área “tem que ser refletida e apoiada tecnicamente».

«Este Governo, sistematicamente, não apresenta fundamentação, nem técnica, nem económica, para esta decisão de privatizar», criticou a socialista.

Durante a conferência desta quarta-feira, a ex-secretária de Estado dos Transportes disse que «a única forma de impedir a privatização é por pressão política».

Segundo a deputada socialista, o PS vai «apostar a todos os níveis, para encontrar uma forma de pressionar e chamando a atenção que há outras alternativas que vão ao encontro das necessidades da TAP, sem pôr em causa o futuro da empresa e a sua posição».

«Um Governo que se excitou tanto e se perturbou tanto com as taxas e as taxinhas [da Câmara de Lisboa], como é possível ter feito cinco aumentos [nas taxas aeroportuárias]», afirmou.

Ana Paula Vitorino apelou aos socialistas para «não deixarem que se repita na TAP aquilo que se passou na ANA - Aeroportos de Portugal», agora detida pela empresa francesa Vinci, que terá um novo aumento das taxas cobradas às companhias aéreas em 7,56% no aeroporto de Lisboa e em 1,50% no aeroporto do Porto, a partir de 01 de dezembro.

A Comissão de Trabalhadores da TAP lembrou esta quarta-feira, numa carta escrita ao Presidente da República, Cavaco Silva, que apesar de terem falhado as anteriores tentativas de privatização, a empresa «cresceu e criou centenas de postos de trabalho».

Na semana passada, o ministro da Presidência, Luís Marques Guedes, afirmou que a situação da TAP «só pode ser resolvida» através da privatização da transportadora, uma vez que as regras europeias impedem os Estados de investirem nas companhias aéreas.

O processo legislativo está a ser desencadeado e aguarda a promulgação do Presidente da República, Cavaco Silva, e a publicação em Diário da República.

No início deste mês, o Governo aprovou um processo de privatização da TAP, pela alienação de ações representativas de até 66% do capital social da TAP SGPS.

O Governo português recusou, em dezembro de 2012, a proposta de compra da TAP feita pelo grupo Synergy, detido pelo empresário colombiano Germán Efromovich, o único concorrente à privatização, e a venda está suspensa desde então.