Os pilotos da TAP reúnem-se esta quarta-feira para discutir o acordo assinado em dezembro com o Governo, estando em cima da mesa a possibilidade de uma nova greve, a um mês da entrega de propostas à compra do grupo.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) defende que as negociações com a TAP e a PGA sobre os acordos de empresa entraram num impasse e marcou assembleias de empresa para tomar decisões.

Num comunicado emitido na semana passada, a direção do SPAC informou que «o processo negocial entre o SPAC, a TAP e a PGA, no âmbito do compromisso subsidiário do acordo ratificado com o Governo em 23 de dezembro de 2014 chegou a um impasse insanável, por motivos estritamente imputáveis à TAP, à PGA e ao Governo».

Em causa, estão as pretensões dos pilotos sobre as diuturnidades e sobre a obtenção de 20% do capital da companhia aérea, aquando da sua privatização, que deverá estar concluída até ao final desta legislatura.

O Governo manifestou-se surpreso com a possibilidade dos pilotos porem em causa o acordo estabelecido com o Governo na véspera de Natal, que permitiu desconvocar quatro dias de greve, e recorrer à greve.

« Eu espero que isso não venha a acontecer, porque o acordo que foi alcançado está a ser respeitado pelo Governo, e normalmente nós gostamos que os acordos que vamos fazendo possam ser respeitados», declarou Pedro Passos Coelho aos jornalistas, à margem de uma conferência sobre investimento em Portugal, na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

O chefe do executivo PSD/CDS-PP reagiu à posição do Sindicato dos Pilotos da TAP «com surpresa, porque na altura foi alcançado um acordo», e rejeitou que sejam invocadas condições fora do texto escrito acordado: «Quando se faz um acordo que é reduzido a escrito, não há ambiguidade naquilo que se acorda. Aquilo que se acorda é aquilo que está no texto do acordo. O que está no acordo foi subscrito pelos dois parceiros, o que não está no acordo não foi acordado evidentemente».

Também o secretário de Estado dos Transportes disse não acreditar que o SPAC ponha em causa o acordo sobre a TAP com o Governo, com matérias que foram logo postas de parte da mesa das negociações.

«Estranhamos esta posição e, como disse ontem o ministro da Economia, e muito bem, os homens de palavra cumprem acordos, que resultaram de um processo de diálogo e de franqueza. Por isso, faço daqui um apelo para que esse acordo seja cumprido e não me passa pela cabeça que seja revertido», afirmou Sérgio Monteiro, quando questionado sobre a ameaça de greve dos pilotos da TAP.

Os candidatos à compra do grupo TAP têm que entregar as propostas vinculativas até às 17:00 de 15 de maio.