As confederações patronais manifestaram esta terça-feira preocupação com o impacto negativo que a greve na TAP terá na economia, ao contrário das estruturas sindicais, que defendem que o Governo deve reconsiderar a privatização da companhia aérea.

«A TAP é uma empresa estruturante na economia portuguesa, em particular, na área do turismo, e a sua privatização merece ser ponderada de uma forma mais prolongada no tempo, em termos de urgência. No entanto, consideramos que neste momento uma posição de força pode ser negativa em termos do impacto, quer no turismo, quer na própria empresa, no curto prazo», afirmou o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes.

A posição de Vieira Lopes foi assumida aos jornalistas no final de um encontro entre as confederações patronais e as estruturas sindicais e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no âmbito do Conselho Europeu que vai decorrer em Bruxelas a 18 e 19 de dezembro.

No final da reunião, também o presidente da Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, reconheceu a sua preocupação perante o impacto da greve na economia portuguesa.

«Quer pelo período, quer porque a TAP é, de longe, a empresa que mais transporta turistas, sejam eles estrangeiros, sejam portugueses imigrantes que venham passar o Natal, há um efeito, quer para o mercado interno, quer para o turismo, que é catastrófico», afirmou António Saraiva.

Apelou, por isso, ao diálogo e à «sensatez» entre sindicatos e Governo para que a greve seja travada, uma vez que se esta for por diante «o efeito para o turismo e para as famílias é catastrófico».

Posição contrária expressaram a CGTP e a UGT, que colocam a defesa dos trabalhadores acima do interesse do Governo e da companhia.

«A posição da CGTP é de solidariedade com a luta dos trabalhadores, uma luta para defesa da economia nacional porque a privatização da TAP seria um crime contra a economia portuguesa. É essencial que a TAP seja uma empresa pública», defendeu Augusto Praça, da CGTP.

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, considerou, por seu turno, que «o Governo faria bem em ponderar a decisão que tomou», afirmando que «há prejuízo para a empresa, mas a sua privatização também é um prejuízo para o país».

«Não sei se está em causa a imagem dos trabalhadores, ou se está em causa a imagem de incapacidade de um Governo e de uma administração que não conseguem resolver o problema», referiu Carlos Silva, assegurando que, caso o Governo avance para um requisição civil, «terá a UGT contra».

Esta terça-feira o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, afirmou que os sindicatos da TAP «não estão interessados em suspender o pré-aviso de greve que afetará muitas famílias», o que «o Governo lamenta profundamente».

A plataforma de sindicatos da TAP propôs na segunda-feira ao Governo a suspensão do processo de reprivatização até à conclusão de 12 processos negociais, que elencaram no memorando entregue ao executivo como condição para cancelar a greve.

Os 12 sindicatos que representam os trabalhadores da TAP - grupo que entretanto o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, afeto à UGT, abandonou - convocaram uma greve de quatro dias, entre 27 e 30 de dezembro, na sequência da recusa do Governo de suspender a privatização da companhia.