O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, garante que o direito à greve na TAP não está em causa, porque o interesse que o Governo está a tentar proteger é o direito de mobilidade dos portugueses na quadra natalícia.

Em entrevista à TVI24, o responsável admitiu «que não lhe passa pela cabeça» que os trabalhadores não cumpram a requisição civil, decidida esta quinta-feira em Conselho de Ministros, e que o Executivo espera que garanta os 1.141 voos que estão previstos para os dias de greve entre 27 e 30 de dezembro.

«Não quero acreditar que num Estado de Direito essas medidas [não comparência] sejam sequer ponderadas pelo sindicato.Se acontecer, e se comprovar que houve atuação dolosa, haverá consequências. No limite, haverá procedimentos de natureza disciplinar nas empresas: não branquearemos comportamentos à margem da lei».


Sérgio Monteiro voltou a reiterar que o problema foi as datas escolhidas, e não a natureza da greve. E critica a plataforma de sindicatos, que diz ter faltado ao combinado na reunião que teve com o Executivo na passada sexta-feira.

«Fomos surpreendidos com um documento, apresentado na segunda-feira seguinte, em que o primeiro ponto para a suspensão da greve era a suspensão da privatização enquanto decorriam as negociações com a plataforma sobre a salvaguarda dos trabalhadores. Tinha ficado combinado que assim não era, que a greve seria suspensa se essa discussão acontecesse».


O responsável garantiu que não está em causa o impacto financeiro da greve, «que seria grande», como já o foi no passado, e lembrou que desde agosto já houve cinco dias de greve na TAP. A questão, reitera, é a época: «O que está em causa é só o direito das pessoas se moverem no Natal. O debate democrático faz-se na pluralidade de direitos, mas há certos limites que não podem ser ultrapassados», concluiu.

Depois do anúncio da requisição civil, as reações não se fizeram esperar: do lado da CGTP, Arménio Carlos considerou que esta decisão era ilegal e prepotente e que punha em causa o direito à greve. A UGT classificou a requisição civil como «abusiva» e que apenas tem fundamento político.


A plataforma de sindicatos acusa o Governo de querer responsabilizar os trabalhadores pelas consequências de decisões que lhes são alheias e de tentar iludir os portugueses sobre as consequências da privatização.