O presidente da TAP admite que, entre junho e julho, houve um número «fora do normal» de cancelamentos de voos, e sublinha que a grande maioria aconteceu por «problemas de tripulação».

Fernando Pinto, que está a ser ouvido na Comissão de Economia e Obras Públicas, na Assembleia da República, sublinhou que o maior índice de cancelamentos se deveu a questões relacionadas com os pilotos.

«Foi a principal causa do problema. Precisávamos de formar 100 pilotos, mas o processo de autorização (que passa pelo Governo) atrasou e demorou mais do que prevíamos. Ainda assim teríamos tempo para os formar, mas uma nova regra do Instituto Nacional de Aviação Civil fez com que estivéssemos mais seis meses no programa de formação. Com os pilotos que tínhamos era possível manter a operação, mas apareceu uma greve de zelo dos pilotos, um pequeno grupo que não aceitava qualquer mudança de voos nas escalas», explicou o responsável.

Contas feitas, 227 dos cancelamentos em junho e julho foram por falta de tripulação e 120 aconteceram devido a razões técnicas. Fernando Pinto adiantou que 56% dos cancelamentos se deveram a problemas técnicos na frota da Portugália.

Em agosto, segundo o responsável, o número de cancelamentos por falta de tripulação caiu «drasticamente» para quase 1/10, enquanto os cancelamentos devido a razões técnicas caiu para 28 casos.

«Em 2013 tivemos 1170 cancelamentos e foi um ótimo ano para nós. Este ano, de janeiro a 31 de maio tivemos 360 cancelamentos. A média de cancelamentos no verão deste ano foi de 7,8 voos por dia, mas em agosto voltou ao normal, com uma média de cancelamentos de 2,2 voos/dia», enumerou.

Defendendo que «o índice de regularidade da TAP é excecional», Fernando Pinto sublinhou que no verão de 2013 a companhia aérea operou 98,9% dos voos, enquanto que no verão de 2014 operou 97,7% dos voos. «Era razão para tanta coisa?», questionou o presidente da TAP, referindo-se às notícias dos cancelamentos difundidas na comunicação social.