A TAP manifestou-se surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos de uma greve de 10 dias e o «impacto brutal» que esta poderá impor à companhia, calculando um prejuízo superior a 70 milhões de euros.

«A TAP tem estado sempre em negociações, nunca abandonou a mesa das negociações e foi surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos de aprovar uma greve de 10 dias, com início a 01 de maio deste ano», disse à agência Lusa fonte oficial da transportadora aérea, lembrando que foi informada da decisão, mas que ainda não recebeu qualquer pré-aviso.

Uma eventual greve de 10 dias terá «um impacto brutal» para a TAP, avaliada em pelo menos 70 milhões de euros, a que acrescem valores «não quantificáveis», que têm a ver com a «confiança do mercado, montante que não é quantificável», destacou a mesma fonte.

A empresa considera que a posição assumida pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) «é altamente lesiva para a TAP e para a Economia portuguesa e vem ao arrepio do que estava acordado» com o sindicato dos pilotos.

A transportadora aérea manifesta a esperança de que «o bom senso» prevaleça nesta questão da greve, em relação à posição assumida pelo sindicato.

«A TAP tem estado sempre em negociações, nunca abandonou a mesa das negociações e foi surpreendida com a decisão do Sindicato dos Pilotos em aprovarem uma greve de 10 dias», disse hoje à Lusa a mesma fonte.

No comunicado divulgado com a decisão da greve, com 30 pontos, o Sindicato dos Pilotos afirma que, ‘em consequência de decisão prévia do Tribunal Arbitral, em 10 de janeiro de 1999, foi livremente e de boa-fé celebrado um acordo, que (…) declara que a TAP e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) que do acordo de empresa agora celebrado resultarão ganhos de produtividade para a empresa, prescindindo os pilotos nessa celebração de determinadas vantagens e benefícios, tendo em conta sobretudo o interesse empresarial que os envolve».

Nas declarações posteriores à Lusa, a fonte oficial da TAP explicou que durante a ronda de negociações com a plataforma de sindicatos, que inclui o SPAC, «nunca esteve em discussão pela TAP» aquela questão e que esta «não é da sua competência, é uma questão que compete ao Governo”,» pelo que a marcação da greve com base neste pressuposto «é uma surpresa».

Fonte da TAP disse ainda à agência Lusa que «a Procuradoria-Geral da República considerou que não existe fundamentação legal» para a pretensão do Sindicato dos Pilotos.

«Na ronda de negociações com a plataforma de sindicatos, que inclui o SPAC, não esteve em cima da mesa a participação no capital social da futura sociedade de transportes aéreo por parte dos pilotos», salientou a fonte da transportadora.

A mesma fonte da TAP disse ainda à Lusa esperar que «o bom-senso por parte do Sindicato dos Piloto prevaleça» e que se tenha também em conta o que afirmou o presidente da Confederação do Turismo de Português, Francisco Calheiros, que alertou para o impacto da greve no setor, que neste momento é um dos motores da recuperação da economia portuguesa.