O Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) defendeu esta quarta-feira a existência de dois chefes de cabine a bordo dos A330, aviões que a companhia aérea SATA passará a utilizar nas viagens de longo curso.

Dada “a existência de um avião do tamanho dos Airbus 330, em termos de gestão e serviço que é dado aos passageiros, beneficiaria muito ter dois chefes de cabine” a bordo, afirmou o vice-presidente do SNPVAC, Nuno Fonseca, em declarações à Lusa, após uma reunião com a administração da SATA, que decorreu em Ponta Delgada, nos Açores.

Os dois A330 que vão substituir os A310 nas rotas de longo curso da companhia pública açoriana têm, cada um, capacidade para um total de 284 passageiros, um volume de carga de 136 metros cúbicos e deverão estar operacionais para iniciarem voos entre 15 de dezembro e 15 de janeiro de 2016.

Nuno Fonseca referiu ainda que “a legislação não permite”, por exemplo, que um avião levante em caso de doença do único chefe de cabine e, “se houvesse dois chefes de cabine na composição das tripulações dos A330, seria possível colmatar essa situação”.

“Isso é a nossa opinião baseada na nossa experiência pessoal como tripulantes de cabine e naquilo que foi a investigação e trabalho que fizemos para trazer a esta reunião”, disse Nuno Fonseca, revelando que a proposta da administração da SATA passa pela manutenção de um chefe de cabine.

Segundo o vice-presidente do sindicato, “o facto de o assunto estar em cima da mesa e tão próximo de uma conclusão é uma grande vitória” e o que deve prevalecer é “o contínuo bom funcionamento da empresa e a evolução da SATA para recuperar o que tem perdido nos últimos tempos”.

Nuno Fonseca adiantou que “há abertura” de ambas as partes para se chegar a um consenso em relação à composição das tripulações dos A330 e que ficou agendada uma nova reunião para 04 de novembro que deverá servir para “definir concretamente qual é que será a composição e funções dentro da cabine”.

Quanto à formação das tripulações para os A330, Nuno Fonseca referiu que “já decorreu”, mas, uma vez que o processo de chegada dos novos aviões sofreu atrasos, “existe, obviamente, a necessidade de proceder nesse momento a uma requalificação, a uma ‘refrescagem’”.

O alerta foi deixado à administração da SATA, que disse estar “ciente disso e ter a situação devidamente acautelada”.