A companhia aérea SATA anunciou esta quinta-feira ter apresentado uma queixa no Ministério Público por ter sido divulgado na internet um «documento confidencial» da empresa, que define a sua estratégia até 2020.

«Na sequência da distribuição por meios digitais, através da Internet, de um documento confidencial e propriedade da companhia, o grupo SATA entendeu apresentar queixa no Departamento de Investigação e Ação Penal dos Açores», lê-se num comunicado da empresa, citado pela Lusa.

Segundo o mesmo texto, a divulgação do documento «é um ato que atenta contra os interesses e imagem da SATA e, deste modo, constitui-se como um ilícito que configura a prática dos crimes, entre outros, de ofensa a organismo, serviço ou pessoa coletiva agravado e de violação de segredo agravado».

«Perante a gravidade da situação, à SATA não resta outra alternativa que não seja a de recorrer à justiça com vista à salvaguarda e defesa da sua imagem e interesses, assim como defender e assegurar o respeito para com o desenvolvimento da atividade empresarial de uma companhia que trabalha para os Açores e para os açorianos há 67 anos, património que deve merecer a maior consideração», continua o texto.

A transportadora aérea dos Açores diz, ainda, que pretende desta forma «defender todos os colaboradores da SATA e a consideração que merece o seu trabalho e dedicação», assim como «os seus clientes e todos aqueles que, de algum modo, se relacionam com a SATA».

O documento foi divulgado nas redes sociais nos últimos dias, depois de ter sido citado e exibido no plenário do parlamento da região autónoma, na terça-feira, pelo presidente do PSD/Açores, Duarte Freitas.

O título do documento é «Business Plan 2015-2020», o mesmo de um outro que foi apresentado aos deputados da comissão de Economia do parlamento açoriano na semana passada.

No entanto, a versão entregue aos deputados tem cerca de 40 páginas e o documento conhecido esta semana tem 251.

Segundo Duarte Freitas, o documento maior é o verdadeiro plano de desenvolvimento estratégico da SATA até 2020 e integra informação sobre a situação financeira de «insustentabilidade» da empresa que o Governo Regional, o único acionista da companhia, quis «deliberadamente» esconder dos deputados.

O secretário regional dos Transportes, Vítor Fraga, já negou a acusação e garantiu que «só há um plano», o que foi entregue aos deputados e condenou a divulgação de «documentos de trabalho» da empresa.

«A SATA vive num ecossistema concorrencial, a informação reservada que diz diretamente respeito à sua organização, à sua estrutura de negócio, deve ser mantida nesse âmbito. Não vemos a estratégia de outras empresas de âmbito privado na praça pública. O pior serviço que podemos fazer é expor desta maneira a SATA», afirmou.