O presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil considerou Esta sexta-feira que as compensações pelo trabalho extraordinário anunciadas pela TAP «são remendos para males maiores» e salientou que os trabalhadores vão reunir-se para decidir se recorrem a grave.

«A possibilidade de greve está em cima da mesa. Esta hipótese só está a ser tão realçada pelos meios de comunicação social devido ao estado calamitoso a que chegou a operação da TAP», disse à agência Lusa Jaime Prieto.

O presidente da TAP, Fernando Pinto, anunciou quinta-feira, numa circular enviada aos trabalhadores, a decisão de adotar «medidas excecionais» para compensar os funcionários pelo trabalho extraordinário realizado desde 01 de junho a fim de minimizar o impacto das perturbações na companhia junto dos passageiros.

Em declarações à Lusa, Jaime Prieto salientou que as medidas anunciadas pela TAP «são remendos para males maiores», uma vez que a companhia aérea está com «problemas estruturais profundos».

O responsável lembrou que o sindicato tem alertado, desde há dois anos e meio, para a situação na TAP, que «está neste momento com prejuízo» relativamente à gestão operacional.

«As medidas que a TAP está a levar a cabo não se coadunam com aquilo que é o mercado concorrencial e extremamente competitivo em que [a companhia aérea] está inserida. Em 30 anos nunca vimos sair um piloto. Em dois anos e meio saíram 37», disse, acrescentando que a situação da manutenção «ainda está pior» que a área da pilotagem.

De acordo com Jaime Prieto, a área da manutenção está num descalabro operacional, sem efetivos.

«É inadmissível. A TAP não está a crescer, mas sim a inchar, ou seja está a tentar crescer e aumentar a qualquer custo», realçou o presidente do SPCA.

Na opinião de Jaime Prieto, o conselho de administração da

TAP está a querer vender e aumentar a sua rede comercial de uma maneira «desmesurada».

«Agora, à última hora, aparece um pagamento alavancado de horas extra que nós não vemos com bons ou maus olhos, mas apenas como uma pequena medida que faz parte de uma série de medidas a tomar. O que nos preocupa é que seja só um cuidado imediato e daqui a um ou dois meses esteja tudo igual», disse, acrescentando que é preciso apurar responsabilidades na TAP.

Jaime Prieto disse ainda que a TAP está a contratar companhias externas «de questionável qualidade», que «vêm de todas as partes do mundo, algumas das quais nunca ouvi falar».

Ao mesmo tempo, acrescentou, «há dinheiro para negócios no Brasil, onde já estão entre empréstimos e prejuízos investidos ou perdidos em mais de 600 milhões de euros nos últimos anos», disse.

O SPAC vai reunir-se esta sexta-feira às 15:00 para analisar a situação da transportadora aérea portuguesa.