O presidente da TAP atribui à falta de pessoal navegante quase metade dos 468 voos cancelados em junho e julho, rejeitando que o elevado número de cancelamentos esteja relacionado com o aumento das rotas.

Tribunal obriga pilotos da TAP a fazer 11 voos durante a greve

Numa carta enviada na segunda-feira aos trabalhadores e a que a Lusa teve acesso, Fernando Pinto diz que, «dos voos cancelados, 226 (48%) deveram-se a falta de pessoal navegante e 119 (25%) a causas técnicas».

«Ao contrário do que se tem dito, este agravamento não tem, no essencial, relação com o reforço da rede da TAP», rejeitando que o lançamento de 11 novas rotas seja uma das principais causas para a elevada percentagem de cancelamento de voos.

O presidente da TAP explica que «o sucedido foi objeto de profunda análise» e, «com a transparência habitual», partilha as conclusões com os trabalhadores.

«Aumento dos cancelamentos por motivos técnicos, em

especial na frota A330 e Fokker 100, entrada tardia em operação dos novos pilotos devido a atrasos na sua formação, greve de zelo decretada pelo SPAC [Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil] e atraso na entrega de novos aviões», enumera Fernando Pinto.

O presidente da TAP refere ainda a «influência negativa na operação de maio/junho de diversas situações fora» do controlo da companhia, «como foi o caso de greves de controladores de tráfego aéreo na Europa, de um A330 que ficou retido em Belém, de problemas com os terminais de bagagens em Londres».

Em julho, em entrevista à agência Lusa, Fernando Pinto havia admitido um somatório de fatores associados a um crescimento do tráfego acima do esperado que têm conduzido a cancelamentos de voos, o que classificou de «dores de crescimento», que afirmou esperar estarem sanadas em agosto.

«Tivemos um atraso na receção dos [seis] aviões, também um atraso na formação, sobretudo de tripulantes. Neste momento, conseguimos formar cerca de metade dos tripulantes que gostaríamos de ter formado», declarou então.