As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciaram o desejo de adquirir três aviões Boeing 737 de nova geração para corresponder ao aumento da procura de passageiros, resultante dos megaprojetos da indústria extrativa no centro e norte do país.

A administradora-delegada da LAM, Marlene Manave, adiantou na quarta-feira que o aumento da frota permitirá à LAM transportar mais de um milhão de passageiros e também abrir novas rotas, unindo Moçambique a todos os países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), informou hoje a agência noticiosa moçambicana AIM.

As perspetivas de crescimento económico de Moçambique, aliadas aos grandes investimentos estrangeiros, obrigam a LAM a melhorar a sua oferta, nos voos domésticos e internacionais, estando planeada a abertura das ligações de Moçambique com Dubai e Mumbai a partir do aeroporto de Nacala, na província de Nampula.

Segundo Marlene Manave, que falava em Maputo na cerimónia de atribuição do prémio da melhor agência de viagens em Moçambique, a companhia de bandeira moçambicana transportou em 2013 cerca de 700 mil passageiros,

A LAM tem estado em foco desse a queda de um aparelho da transportadora, em 29 de novembro na Namíbia, quando fazia a ligação entre Maputo e Luanda, provocando a morte de todos os 33 passageiros, incluindo sete cidadãos portugueses.

Na quarta-feira, o ministro moçambicano dos Transportes, Gabriel Muthisse, assumiu a teoria de suicídio do piloto do Embraer 190 da LAM, alertando porém que o inquérito ainda não está terminado.

«Da leitura das caixas negras, apurou-se que o copiloto se teria ausentado da cabina do avião e que a porta foi trancada, impedindo o seu regresso, apesar do esforço feito nesse sentido», descreveu numa entrevista publicada pelo diário O País. «Supõe-se pelas evidências técnicas e outras que poderá ter havido a intenção deliberada de despenhar o avião.»

Desde o desastre em novembro, outros incidentes aconteceram com aviões da LAM.

A de 11 abril um Bombardier Q40 embateu, durante a aterragem, numa pista do Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo, sem provocar vítimas.

Segundo a imprensa moçambicana, na sexta-feira passada um Embraer que fazia a ligação entre Maputo e Tete voltou para trás quando foi detetada uma avaria. O avião voltou a descolar, mas mais uma vez a viagem foi abortada, deixando alguns passageiros em pânico.

No domingo, os passageiros do voo da LAM entre Nampula e Dar es Salam ficaram oito horas retidos no aeroporto sem explicações e acabaram por pernoitar na cidade, apenas embarcando no dia seguinte.

Na entrevista ao jornal O País, Gabriel Muthisse considerou que os atrasos são «um problema grave», mas desvalorizou a questão das avarias.

«Quando se tem sete ou oito aeronaves, a avaria ou indício de avaria torna-se notícia nacional», comentou. «Problema seria se os pilotos, mesmo tendo detetado problemas, tivessem insistido em voar», disse ainda.

A LAM integra a lista negra das transportadoras que a União Europeia proíbe de sobrevoar o seu espaço aéreo.