O grupo TAP fechou 2014 com prejuízos de 85,1 milhões de euros, valor que representa um agravamento de 79,2 milhões de euros face aos 5,9 milhões de euros registados em 2013, resultado do agravamento da prestação do transporte aéreo.

Já a TAP – Manutenção e Engenharia Brasil registou um prejuízo de 22,6 milhões de euros, uma melhoria em 17,7 milhões de euros face ao ano anterior (45%), naquele que é o quarto ano de um plano de reestruturação da empresa que historicamente é a responsável pelos prejuízos do grupo.

Em 2014, o resultado líquido refletiu a atividade do transporte aéreo (TAP SA), que, como foi divulgado, passou de um lucro de 34 milhões de euros para prejuízos de 46,4 milhões de euros, explicado pela entrada tardia em operação dos seis novos aviões, pelos 22 dias de greve (anunciadas ou efetuadas e outras ocorrências operacionais, nomeadamente problemas técnicos.

«O resultado apresentado pelo grupo situou-se abaixo das expectativas, largamente influenciado pelo impacto das greves na operação, pelo custo associado ao fretamento de aviões e, na vertente dos proveitos, pela redução de yield no Brasil e na Europa, fenómeno transversal à globalidade da Indústria», lê-se no relatório e contas do grupo, que destaca ainda o aumento da capacidade com a introdução de seis novos aviões e onze novos destinos.

A participada Groundforce, empresa de assistência em terra, em que o grupo TAP detém 49,9% do capital, viu o resultado líquido aumentar em 10% para 2,4 milhões de euros em 2014.

Em 2014, a dívida remunerada do grupo atingiu os 1.062 milhões de euros, «sensivelmente ao mesmo nível que em 2013», mas houve «uma substituição relevante de valores em dívida de empréstimos a médio e longo prazo por operações de mais curto prazo, predominantemente no mercado nacional», o que acelera a necessidade de capitalização.

Ainda na semana passada, o presidente da comissão especial de acompanhamento da privatização da TAP, Cantiga Esteves, disse no Parlamento que a companhia aérea vive «um desespero completo de tesouraria, (...) anda o dia-a-dia em desespero».

Segundo o relatório, publicado na página da TAP, «o resultado financeiro líquido do grupo, em 2014, foi assim substancialmente influenciado por alterações com origem na exposição cambial ao dólar, relativamente à dívida denominada nessa divisa, e também com origem no registo de perdas cambiais no bolívar, com caráter excecional, em resultado do novo enquadramento determinado pelas autoridades venezuelanas».

Cerca de 43% do total de custos financeiros totais resultou em 2014 de custos com diferenças cambiais, acrescenta.
No ano em que o Governo relançou a privatização do grupo liderado por Fernando Pinto, os ativos a alienar desvalorizaram para 1.560 milhões de euros, que compara com 1.695 milhões de euros no ano anterior.

No mesmo período, o passivo aumentou ligeiramente para 2.072 milhões de euros, o que agrava os capitais próprios do grupo para mais de 500 milhões de euros negativos, quando há um ano ficavam abaixo dos 400 milhões de euros.
O relatório de contas do grupo foi divulgado ao público a menos de um mês da data limite para os candidatos à compra da TAP apresentarem as suas propostas vinculativas.