O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) defende que a adesão à greve dos trabalhadores da Groundforce no feriado de 15 de agosto «vai ser boa», admitindo «atrasos e eventualmente cancelamento de voos».

«Seguramente a adesão [à greve na Groundforce] vai ser boa e isso vai provocar atrasos e eventualmente cancelamento de voos», afirmou à Lusa Fernando Henriques, do SITAVA, adiantando que ao protesto se deverão juntar trabalhadores afetos aos outros quatro sindicatos que ficaram de fora desta paralisação na empresa de serviços em terra de apoio ao transporte aéreo.

Os efeitos da greve devem fazer-se sentir sobretudo no aeroporto de Lisboa, mas podem também ocorrer nos aeroportos do Porto, Funchal e Porto Santo.

Em declarações à Lusa, Fernando Henriques rejeitou as declarações da Groundforce, que considerou a greve marcada para quinta-feira «incompreensível» e «extemporânea», contrapondo que «só o será para quem não conhece o sentimento dos trabalhadores neste momento».

«As razões são mais do que muitas para os trabalhadores irem para a luta e fazerem greve no próximo dia 15», declarou, apontando os extensos horários de trabalho como a principal queixa dos funcionários empresa.

De acordo com Fernando Henriques, o problema «arrasta-se há alguns anos, mas tem piorado, porque a carga de trabalho tem-se intensificado com horários de 9 e 10 horas de trabalho», sublinhando que «não há abertura da empresa para que se chegue a uma resolução para os problemas que estão a ser contestados».

Fonte oficial da Groundforce refuta a falta de comunicação com os representantes dos trabalhadores, explicando que a última reunião se realizou a 11 de julho e existe uma outra agendada para 22 de agosto.

«Temos estado em reuniões com outros sindicatos, mas os temas não correspondem ao pedido de agendamento. Não há processo negocial nenhum», defende o responsável do SITAVA, que diz representar mais de metade dos trabalhadores sindicalizados da Groundforce, quando a empresa diz serem 'apenas' 30%.

Além da greve ao trabalho extraordinário e aos feriados, o SITAVA adianta que, na sequência de um plenário realizado no dia 01 de agosto, os trabalhadores «aprovaram por unanimidade uma moção que contempla ainda 3 dias de greve, a realizar nos dias 30 e 31 de agosto e 01 de setembro».

A Groundforce já garantiu que tudo fará para «mitigar os eventuais efeitos» da greve junto das companhias aéreas e dos passageiros nas várias escalas em que a Groundforce Portugal opera.