Um estudo realizado junto de 29 companhias aéreas europeias revelou disparidades nas tarifas cobradas pelo uso de oxigénio, que variam entre os zero e os 300 euros, e concluiu que viajar é um «tormento» para pessoas com doenças respiratórias.

 

«Desde o pedido de autorização médica, passando pela travessia dos aeroportos e pela falta de preparação do pessoal de cabina, viajar com oxigénio é um processo lento, caro e gerador de angústia e fadiga», refere o estudo «Viajar de avião na Europa com oxigénio», que decorreu em 2012 e será hoje apresentado.

 

Promovido pela Federação Europeia das Associações de Pessoas com Alergias e Doenças das Vias Respiratórias (EFA) a pela Fundação Europeia do Pulmão, o estudo envolveu companhias aéreas como a TAP, a Air France, a British Airways, a Ibéria, a KLM, a Brussels Airlines, Ryanair, Alitalia, Luxair, Aeroflot (Rússia), Air Baltic (Países Bálticos) e Tarom (Roménia).

 

«A investigação revelou que o setor das companhias de aviação está repleto de inconsistências em termos das tarifas cobradas pela utilização de oxigénio», disse a presidente da EFA, Breda Flood, explicando que algumas transportadoras fornecem oxigénio gratuitamente e outras cobram tarifas de 300 euros por cada garrafa utilizada nos voos.

 

Para Breda Flood, «trata-se de uma discriminação evidenciada pelas tarifas exorbitantes associadas ao fornecimento de oxigénio aos doentes que necessitam de terapia de oxigénio».

Das companhias analisadas, apenas a Air Baltic, a British Airways e a Tarom fornecem oxigénio gratuito a bordo, refere o estudo, adiantando que, em alguns países, o doente tem de encomendar o oxigénio pelo menos 48 horas antes da viagem e, noutros, esse período é alargado quase a um mês de antecedência.

Para a presidente da Respira - Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC [doença pulmonar obstrutiva crónica] e Outras Doenças Respiratórias Crónicas, Luísa Soares Branco, é necessário «melhorar o acesso e garantir a igualdade à mobilidade, para pessoas que necessitam de oxigénio de forma permanente e pretendem viajar de avião».

 

«Viajar de avião para as pessoas com DPOC a fazer oxigenoterapia de longa duração implica que tenham que decidir a sua deslocação com muita antecipação, pelo menos um mês», lamentou Luísa Soares Branco.

 

Luísa Soares Branco relatou que as dificuldades são imensas, desde o embarque ao desembarque, que «são sempre momentos muito complexos».

 

«Durante o voo, notamos que as tripulações de cabina, mesmo sendo cooperantes, não parecem estar devidamente informadas acerca da utilização dos equipamentos de oxigénio. Por outro lado, a viagem encarece o dobro ou o triplo do preço habitual, o que revela uma descriminação inadmissível», sublinhou a responsável.

 

O estudo, publicado em livro, é apresentado esta quarta-feira em Lisboa, numa cerimónia que conta com a participação da diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, Cristina Bárbara, de Luísa Soares Branco, e do presidente da Federação Portuguesa do Pulmão, Teles de Araújo.

 

Em Portugal, a DPOC afeta 800 mil pessoas e apenas 13% dos casos estão diagnosticados, o que para a associação revela uma «grande falta de conhecimento» dos sintomas da doença, que constitui já a 3.ªcausa de morte no mundo.

 

Segundo a associação, a doença caracteriza-se por falta de ar (dispneia), tosse e aumento da produção de expetoração e dificulta a realização de tarefas diárias banais como, por exemplo, conduzir ou subir escadas, fazer a cama ou fazer a higiene diária.