TVI sabe que a Autoridade Tributária tem como prazo o fim do mês para terminar o cruzamento de dados dos clientes com ligações a Portugal, que constam na lista do swissleaks.
 
Só depois disso é que a AT - que é a única entidade com acesso à lista, para além da  TVI, em Portugal - verificará se existem ou não indícios de crime. 
 
Em causa, estão clientes que tiveram contas no HSBC, em Genebra, um banco envolvido em esquemas de evasão fiscal, pelo menos até 2007.
 
A investigação da estação de Queluz de Baixo, em parceria com o «Le Monde» e o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, revelou na quinta-feira que  uma inspetora das Finanças, Filomena Martinho Bacelar, tinha, com dois familiares seus, aplicações naquele banco. O dinheiro estava ligado a offshores.
 
Na reação aos esclarecimentos pedidos pela TVI, no dia 10 de março, antes da divulgação da reportagem, a  Inspeção-geral de Finanças decidiu abrir um inquéritoà sua funcionária, por integrar a dita lista. 
 
No entanto, a IGF só divulgou uma nota a dar conta disso mesmo depois de a peça sobre Filomena Martinho Bacelar ter passado no Jornal das 8, na quinta-feira à noite.
 
A investigação da TVI já revelou, também,  mais pormenores, até aqui não conhecidos, sobre a lista dos clientes portugueses do HSBC.
 
Foi no início de fevereiro que o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação divulgou documentos confidenciais sobre o ramo suíço do banco britânico HSBC Private Bank, revelando alegados esquemas de evasão fiscal.