O presidente cessante do grupo PSA Peugeot Citroën, Philippe Varin, que deixará o cargo em 2014, anunciou esta quarta-feira que renuncia a uma reforma especial de 21 milhões de euros, depois de grande polémica sobre a quantia.

«Decidi renunciar às atuais disposições relativas aos meus direitos de reforma», afirmou, depois de o seu complemento de reforma ter suscitado hoje muitas críticas, em particular nos meios políticos e sindicais.

Segundo um documento do grupo automóvel francês, divulgado em março e consultado pela France Presse, a marca francesa, atualmente em dificuldades, comprometeu-se a conceder um complemento de reforma de 20,968 milhões de euros a Philippe Varin, 61 anos, que vai deixar a liderança do grupo em 2014, sendo substituído por Carlos Tavares.

O «prémio-reforma» seria financiado apenas pela empresa.

A quantia causou a indignação de sindicatos e de políticos franceses, numa altura em que o grupo lançou em 2012 um vasto plano de reestruturação que leva à eliminação de milhares de postos de trabalho. A Peugeot-Citroën tem cerca de 209 mil trabalhadores em todo o mundo.

O ministro da Economia, Pierre Moscovici, considerou «injusta» a quantia prometida ao presidente da empresa e pediu ao grupo automóvel para clarificar as condições de saída de Varin.

Hoje de manhã, várias rádios tentavam saber quantos postos de trabalho seriam pagos com o montante na origem da polémica ou ainda os aumentos salariais que permitiria.

«Claro que é chocante e que ele devia renunciar» a essa quantia, considerou em declarações a um canal de televisão Jean-Pierre Mercier, delegado sindical da fábrica de Aulnay, perto de Paris, em vias de encerrar.

Vários deputados da maioria socialista e da oposição de direita também criticaram a quantia.

O deputado socialista Yann Galut considerou que se trata de «uma soma indecente» e que representa «1.500 anos de trabalho para um trabalhador que ganhe o salário mínimo» na empresa, ameaçando avançar com uma proposta legislativa para restringir este tipo de complementos se Varin não renunciar à quantia em causa.

Um outro parlamentar socialista, Thomas Thévenoud, deixou idêntica advertência e lembrou que na Peugeot houve mais de 8 mil despedimentos no ano passado.

Na segunda-feira, o grupo automóvel francês anunciou que o português Carlos Tavares, antigo 'número dois' da Renault, vai substituir Varin na liderança do grupo no decurso de 2014, mas sem precisar uma data exata.

Em comunicado, a empresa referiu que Tavares passará a integrar o conselho de administração da Peugeot-Citroën a partir de 1 de janeiro de 2014, sendo depois nomeado presidente durante o ano.