O grupo Volkswagen (VW) é atualmente o maior conglomerado mundial da indústria automóvel, um objetivo que os alemães conseguiram na vigência do ex-presidente executivo Martin Winterkorn, ultrapassando a Toyota e a General Motors em termos de vendas em 2014.

Lembra a Lusa que, a empresa, que nasceu em 1937 em Wolfsburgo pela mão de Adolf Hitler, e entregue à Frente Alemã para o Trabalho (Deutsche Arbeitsfront em alemão), foi criada pelo governo alemão para produzir o famoso Volkswagen 'Carocha', um carro de produção barata e importantíssimo para o esforço de guerra alemã na II Grande Guerra Mundial.

O VW 'Carocha', que em alemão quer dizer 'carro do povo', com a sua forma arredondada e inspirado num escaravelho, permitia facilmente colocá-lo em pé em caso de capotamento, sendo um veículo de alta durabilidade. Foi o carro mais vendido no mundo ultrapassando em 1972 o recorde que pertencia até então ao Ford Modelo T. O último modelo do VW 'Carocha' foi produzido no México em 2003.

Denominada inicialmente Volkswagenwerk Aktiengesellschaft, o nome durou até 4 de julho de 1985 passando para Volkswagen AG, isto porque a empresa decidiu expandir a sua atividade para além de Wolfsburgo.

Em outubro de 2005, a Porsche adquiriu 18,53% da Volkswagen e foi, ao longo dos anos, tendo mais influência no grupo, sendo atualmente o acionista maioritário, com 50,73%, seguido do governo da Baixa Saxónia (20%) e do Qatar Holding LLC (17%), estando o restante capital disperso na Bolsa de Frankfurt.

Para atingir a meta de maior empresa mundial de automóveis, o grupo Volkswagen, com cerca de 600 mil trabalhadores em todo o mundo, foi adquirindo marcas e empresas no processo. A 3 de março de 2008, o grupo anunciou a compra de participação acionista da Scania, que elevou os seus direitos de voto para 68,60% e já mais recentemente, em julho de 2011, elevou a sua participação no grupo MAN para 55,9% das ações, tornando-se o acionista maioritário.

No ano passado, o grupo aumentou o número de veículos entregues aos clientes para 10.137 milhões, contra os 9.731 milhões em 2013 e ultrapassou a Toyota como o maior fabricante mundial de automóveis em vendas, aumentando a sua quota de mercado para 12,9%.

O grupo VW vende os seus automóveis em 153 países, detendo doze marcas de sete países europeus: a Volkswagen, a Volkswagen Veículos Comerciais, a Audi, a Porsche, os camiões MAN, todas marcas alemãs. Para lá da Alemanha, a companhia detém também a espanhola Seat, a checa Škoda, a britânica Bentley, as italianas Bugatti e Lamborghini e a sueca Scania.

O escândalo do falseamento das emissões poluentes não atingiu todas as marcas representadas pelo grupo VW, isto porque a fraude foi só efetuada nos motores a gasóleo 1.6 TDI e 2.0 TDI colocados nas marcas Volkswagen, Volkswagen Veículos Comerciais, Audi, Skoda e Seat.

Antes de o novo presidente executivo assumir funções, Mathias Muller, o grupo estava dividido geograficamente em quatro regiões: Europa, América do Norte, América do Sul, África do Sul, Ásia e Pacífico, tendo 100 fábricas espalhadas por 19 países europeus e oito países nas Américas, Ásia e África.

Uma situação que poderá mudar após os escândalo, até porque Mathias Muller já foi dando avisos que vai mexer na estrutura e nos investimentos previstos pelo seu antecessor Martin Winterkorn, que se demitiu depois de reconhecer a fraude nos testes de emissões nos Estados Unidos.

O grupo Volkswagen tinha em 2014 uma meta de investimento de 86 mil milhões de euros para os próximos cinco anos, apostando em novos modelos e no reforço da presença global, um valor semelhante ao que será disponibilizado para o terceiro resgate à Grécia.

No ano passado, o grupo obteve um lucro antes de impostos de 14,8 mil milhões de euros, mais 19% do que em 2013, e as vendas situaram-se nos 202,5 mil milhões de euros, mais 2,8% do que no ano anterior.

Os resultados de 2015, anunciados para março de 2016, poderão já conter algumas surpresas, pois a empresa, através do seu ex-presidente executivo, já disse aos acionistas que serão bastante diferentes de 2014.

O grupo VW já fez uma provisão de 6,5 mil milhões de euros para contingências do escândalo das emissões e enfrenta processos em tribunal em todo o mundo, para além de uma multa nos Estados Unidos que pode chegar aos 15 mil milhões de euros.