As vendas de veículos ligeiros de passageiros aumentaram 6,7% em Portugal nos primeiros nove meses deste ano, a terceira maior subida na União Europeia (UE), revelam dados da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

De janeiro a setembro deste ano, as vendas de ligeiros de passageiros caíram 3,9% na UE, em comparação com o mesmo período de 2012, ascendendo a um total de 9.000.629 veículos.

Apenas no mês de setembro, as vendas na UE cresceram 5,4%, em relação ao mês homólogo do ano passado, totalizando 1.159.066 unidades, «apesar de registar o segundo valor de vendas em setembro mais baixo desde 2003».

No conjunto dos nove primeiros meses deste ano, entre os estados-membros, o Reino Unido registou o maior crescimento (10,8%), seguido pela Estónia (9%) e por Portugal (6,7%).

Entre os grandes mercados, Espanha registou uma queda de 1,6%, na Alemanha o recuo foi de 6%, na Itália as vendas de veículos desceram 8,3% e em França cederam 8,5 por cento.

Novo imposto para carros a gasóleo pode travar vendas

Também esta quarta-feira o secretário-geral da Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA) avisou que a nova taxa que os proprietários de carros a gasóleo terão de suportar em sede de Imposto Único de Circulação (IUC) em 2014 pode vir a penalizar as vendas.

De acordo com uma simulação do Gabinete de Estudos Económicos da ANECRA, os aumentos do IUC previstos na proposta de Orçamento do Estado para 2014 apresentada na terça-feira vão desde os 18,9% até uma décima acima, consoante o ano de matrícula e a cilindrada, na categoria A (automóveis ligeiros de passageiros e automóveis ligeiros de utilização mista com peso bruto não superior a 2.500 quilos matriculados entre 1981 e 2007).

Por seu lado, na categoria B (automóveis ligeiros de passageiros com peso bruto até ou superior a 3.500 quilos, mas com lotação limitada a nove lugares, e automóveis ligeiros de utilização mista com peso bruto não superior a 2500 quilos matriculados depois de julho de 2007) as variações vão dos 6,13% nas cilindradas até 1.250 centímetros cúbicos e 9,54% acima dos 2.500 centímetros cúbicos.

«Se analisarmos ponto por ponto não terá um significado muito grande em termos absolutos, mas não deixa de ter um significado muito grande para empresas ou para pessoas que já estão fustigadas por cargas fiscais que incidem sobre uma multiplicidade de situações», afirmou à Lusa o secretário-geral da ANECRA, Jorge Neves da Silva.

O dirigente da associação disse que o setor ficou «frustrado e revoltado» por não terem sido tidas em conta propostas feitas em conjunto com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP) de apoio.

«É mais uma machadada no setor», lamentou, salientando que o agravamento do IUC é «tanto mais gravoso como não se verifica esse crescimento nos rendimentos», das famílias e das empresas.

Na terça-feira, o secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal acusou o Governo de estar a discriminar o setor com o aumento do IUC e alertou para o «efeito perverso» da medida.

Também o presidente do Automóvel Club de Portugal, Carlos Barbosa, considerou «absurda» a criação do IUC para os automóveis ligeiros passageiros e motociclos a gasóleo.