O ministro da Economia afirmou esta quinta-feira que o Governo “não tem nenhum” motivo para duvidar, ou para “estar ansioso”, sobre o investimento da Volkswagen na Autoeuropa, considerando que este depende da procura dos novos modelos do grupo alemão. Mas não dá garantias de que o escândalo não afete a fábrica de Palmela.

“Não temos nenhuma razão para duvidarmos ou estarmos ansiosos em relação a este investimento, tem sido sempre considerado pela Volkswagen como essencial ao desenvolvimento da sua atividade comercial”


O ministro da economia salientou que a Autoeuropa “está a executar o investimento tal como negociado com a AICEP”, um investimento em dois modelos do grupo alemão, com os motores homologados e que cumpram todos os requisitos ambientais, de cerca de 600 milhões de euros e que prevê a criação de mais 500 empregos diretos.

“É evidente que o nível de atividade da Autoeuropa depende do sucesso destes modelos, destes veículos, da procura que haja por parte dos clientes da Volkswagen”, considerou o governante, defendendo a atividade da fábrica portuguesa.

Para Pires de Lima, o Estado “tem todo o interesse em manter-se ao lado da Autoeuropa para que possa concretizar nos timings e na dimensão previstas o investimento que não só assegura o emprego que temos hoje em dia na Autoeuropa, mas por ventura permite a criação de mais 500 empregos diretos”, afirmou o ministro.

O ministro disse ainda que a Volkswagen fez na quarta-feira “um anúncio genérico de assunção de responsabilidades e deu calendário entre janeiro e dezembro de 2016 para retificar todos os motores de todos os veículos que neste momento tem motores com kit fraudulento”.

Segundo o ministro, o grupo de trabalho criado pelo Governo para assegurar a monitorização das ações decorrentes da fraude do grupo alemão está a reunir e a recolher elementos, de modo a que na próxima quinta-feira, dia 15, possa existir uma reunião plenária “para analisar um primeiro draft [rascunho] de avaliação e conclusões” sobre a situação.

O grupo Volkswagen detém em Portugal a fábrica da Autoeuropa, onde são produzidos os modelos Volkswagen Eos, Scirocco e Sharan e Seat Alhambra.

Em março de 2014, o grupo anunciou um investimento de 670 milhões de euros e a criação de mais de 500 postos de trabalho para o período entre 2014 e 2019, que prevê também a vinda de novos modelos para a fábrica após a descontinuação do Volkswagen Eos e permite dobrar a produção e a capacidade de exportação da empresa.

A 18 de setembro, a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos acusou a Volkswagen de falsear o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes através de um software incorporado no veículo.

Dois dias depois, a Volkswagen reconheceu ter falseado os dados e anunciou que 11 milhões de veículos do grupo em todo o mundo têm equipamento que permite alterar o desempenho dos motores em termos de emissões para a atmosfera, um escândalo que levou à demissão do presidente executivo do grupo, Martin Winterkorn, substituído por Matthias Müller.