"É impossível existir em Portugal uma autoestrada sem portagens". É o que defende o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, afirmando que isso, hoje em dia, "é compreendido por toda a gente".

"Os municípios e os portugueses perceberam que tínhamos de mudar de vida: os tempos não são de espalhafato, continuam a ser tempos de grande exigência", alegou, durante uma cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Infraestruturas de Portugal e a Câmara de Mortágua, que decorreu ao final da manhã.

Sérgio Monteiro sublinhou que ao entrar no edifício da Câmara de Mortágua voltou "a recordar coisas que ocorreram em 2009".

"Coisas impossíveis de ser pagas pelo país e que não deixaram de ser prometidas", referiu, aludindo aos tempos em que José Sócrates era primeiro-ministro e esteve em Mortágua no lançamento da concessão de autoestradas do centro, tal como aponta uma placa colocada à entrada do edifício do município de Mortágua.

O secretário de Estado destacou mesmo que muitas dezenas de presidentes de câmara pediram que "projetos que tinham uma dimensão incomportável não fossem mais prosseguidos". "A racionalidade e realismo dos autarcas foi uma constante ao longo do meu mandato e a maioria dizia que não queria o que estava anunciado há alguns anos. Pediam mesmo uma solução que resolvesse os problemas do dia-a-dia".


Autoestrada no IP3


No final da cerimónia, o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações voltou a frisar aos jornalistas que o traçado para uma ligação entre Viseu e Coimbra, a que a Infraestruturas de Portugal chamou de Via dos Duques, é alternativo ao IP3.

"As pessoas ficam com uma estrada sem portagens que liga Coimbra a Viseu, em condições obviamente de menor nível de serviço que uma autoestrada. Não é uma autoestrada, nem pouco mais ou menos, mas tem uma alternativa portajada"


O representante do Governo espera que haja condições para que a Infraestruturas de Portugal possa lançar rapidamente o concurso: "Esperamos que seja em consenso, quer com a região de Coimbra, quer com a região de Viseu, com um traçado que permita até aproveitar outras estradas que já existem: quer a A13, quer a ligação à A1", referiu.

Sobre este tema, o presidente da Câmara de Mortágua, José Júlio Norte, apelou a que "se deixe de brincar com estas coisas": "Não quero uma autoestrada a passar em frente à câmara, mas que responda às nossas necessidades, pois não podemos ser eternamente prejudicados", sustentou.

O autarca afirmou que as empresas do seu concelho não podem ser competitivas, sem que esta via se torne uma realidade.

"Espero que dentro das 11 propostas que a Infraestruturas de Portugal recebeu haja alguma adequada. Gostava muito de ir para Coimbra numa via sem ser portajada. No entanto, é preciso ser realista: temos de ter uma autoestrada sustentável e sei que só a teremos se for portajada", admitiu.