A Câmara de Évora (CDU) vai pedir um empréstimo bancário de 32,5 milhões de euros para transformar dívida de curto prazo em médio e longo prazo, na sequência de um plano de saneamento financeiro.

O plano e a contratação do empréstimo foram decididos pelo executivo municipal, tendo o primeiro sido aprovado com os votos favoráveis da maioria CDU e as abstenções do PS e do PSD/CDS-PP e o segundo com os votos a favor da CDU e do PS e a abstenção do PSD/CDS-PP.

"O empréstimo tem de ser na ordem dos 32,5 milhões de euros, que é o valor que o plano considera adequado para conseguirmos o reequilíbrio económico e financeiro", afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara de Évora, o comunista Carlos Pinto de Sá.

Devido ao desequilíbrio financeiro estrutural do município, o autarca salientou que a gestão CDU optou por um plano de saneamento financeiro, em detrimento do Fundo de Apoio Municipal (FAM).

"Optámos pelo saneamento financeiro porque, do ponto de vista da gestão, a câmara mantém intocável a sua autonomia, enquanto no FAM a autonomia de gestão é largamente limitada", justificou.

O plano prevê, segundo Carlos Pinto de Sá, que a câmara fique, no final de 2018, com o "endividamento dentro dos limites legais", que tenha "eliminado todos os pagamentos em atraso" e que esteja em "condições de ter margem para fazer investimentos mais significativos".

De acordo com o autarca, além do equilíbrio económico e financeiro sustentado do município, o plano pretende garantir "capacidade de investimento para obter financiamento externo, por exemplo da União Europeia, e para algumas obras diretas, que são prioritárias".

A minimização do impacto do aumento das receitas sobre os cidadãos e a introdução de alguns reequilíbrios no mapa de pessoal, nomeadamente a possibilidade de contratação de assistentes operacionais, são outras das metas estabelecidas no plano.

Carlos Pinto de Sá recordou que as dificuldades financeiras da câmara resultam, sobretudo, do défice com o sistema multimunicipal Águas do Centro Alentejo (AdCA), que "anda na ordem dos cinco milhões de euros por ano".

"Estamos obrigados a que este défice seja coberto num período de cinco anos, o que é excessivo para a capacidade do concelho, mas temos estado a amenizar esta situação e a procurar que o défice seja apenas reduzido, não só pela via tarifária, mas também por via da redução dos custos", disse.

O presidente da Câmara de Évora adiantou que o empréstimo de 32,5 milhões de euros "não pode ir além de 14 anos, com um ano de carência".

Carlos Pinto de Sá referiu que, antes de o assunto ser discutido e votado na assembleia municipal, a câmara vai iniciar "um processo de consulta aos bancos" para tentar obter "um empréstimo com as condições favoráveis".