O ministro da Segurança Social confessou esta terça-feira estar «espantado» com as críticas do PS ao corte nas pensões de sobrevivência quando «retirou o abono a todas as famílias com mais de 600 euros de rendimento».

«Eu não deixo de ficar espantado quando vejo pessoas mais à esquerda levantarem-se contra uma medida que é uma condição de recursos de 2000 euros, portanto, para essas pessoas alguém que receba uma pensão de 2000, de 3000, de 4000 euros, pode acumular essa pensão com outra pensão se calhar de mais 4000 euros», assinalou Pedro Mota Soares.

O responsável pela pasta da Solidariedade e Segurança Social falava aos jornalistas no Luxemburgo, após um encontro com o comissário europeu do Emprego, Lázló Andor.

Mota Soares rejeitou abordar medidas concretas do Orçamento do Estado para 2014, que será apresentado hoje em Lisboa, mas defendeu a criação da condição de recursos para pensões de sobrevivência superiores a 2000 euros e aproveitou para deixar críticas «à esquerda» e principalmente ao PS.

«Não deixo de ficar espantado, porque, nomeadamente no caso do PS foi exatamente o mesmo partido que tirou o abono de família a todas as famílias em Portugal que tinham mais de 600 euros de rendimento e agora não estamos a falar de uma retirada total da pensão de sobrevivência, estamos só a falar de uma redução na sua taxa de formação», observou.

O ministro da Segurança Social frisou ainda que «uma pensão de sobrevivência é atribuída quando há uma acumulação de pensões», ou seja, «estamos sempre a falar de pessoas que têm duas ou três pensões ou mais pensões de sobrevivência».

«Todos os anos o Estado tem um défice de cerca de 1200 milhões de euros e isso tem de nos impelir a tomar alguma espécie de medidas, o Governo tomou uma medida que tem um impacto bastante diminuto. Em Portugal, todos os anos, entre a Segurança Social e a Caixa Geral de Aposentações, são pagos 2700 milhões de euros em pensões de sobrevivência e a poupança que prevemos pela introdução de uma condição de recursos é de 100 milhões de euros», referiu.

«Em Portugal existem cerca de 850 mil pensionistas com pensão de sobrevivência e com esta medida só vão estar sujeitos cerca de 25 mil, isto é, 825 mil portugueses não terão qualquer efeito da condição de recursos na sua pensão», sublinhou Mota Soares.