A sindicalista Ana Avoila considerou esta terça-feira que na origem da passagem à reforma de mais 70% dos funcionários que deixaram a administração pública nos últimos anos está “o medo de as condições piorarem” com o próximo Governo.

A coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública comentava à agência Lusa a informação, publicada no Diário de Notícias de hoje, de que “nos últimos três anos e meio, até 30 de junho de 2015, a passagem à situação de reforma/aposentação continuou a constituir o principal motivo de saída definitiva de trabalhadores nas administrações públicas (70,8% das saídas definitivas) ”.

O DN cita o boletim estatístico de outubro da Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP).

“É natural que tenha havido um crescimento por causa das políticas de austeridade, dos cortes que o Governo levou a cabo. Por um lado, temos aqueles que se aposentaram porque já reuniam as condições e, por outro, os que o fizeram por medo de que as condições piorem”, sustentou Ana Avoila.


De acordo com a coordenadora da Frente Comum, 98% dos funcionários que vão para a reforma antecipada, “vão por medo”.

“As pessoas descontaram a vida inteira e, depois, vão com cortes grandes nas pensões. Com a vinda de um novo Governo e a incerteza, as pessoas preferem sair”, salientou.


No que diz respeito ao futuro, Ana Avoila disse que “ainda é cedo para se saber”, mas as preocupações da Frente Comum “continuam as mesmas”.

“Vamos continuar a exigir melhores condições para os trabalhadores, o fim dos cortes, da precariedade e o descongelamento das entradas na administração pública”, disse, acrescentando que os trabalhadores também não devem baixar os braços.

De acordo com os dados da DGAEP, mencionados no Diário de Notícias, em 30 de junho de 2015, o emprego total nas administrações públicas situava-se nos 654.600 postos de trabalho, o que representa uma redução de 10% face a 31 de dezembro de 2011, e de 1,1%, em termos homólogos.

A DGAEP indica também que no “primeiro trimestre deste ano, Portugal era dos países da União Europeia com maior peso das remunerações públicas no Produto Interno Bruto (PIB), embora a tendência seja claramente de queda desde finais de 2010, altura em que o peso dos salários era de quase 14%”.