O secretário norte-americano do Tesouro, equivalente ao cargo de ministro das Finanças na Europa, disse na noite de domingo que a recuperação económica no seu país está «inextrincavelmente ligada» à capacidade de a Europa fazer crescer a economia, mitigando a austeridade.

Falando em Atenas no dia seguinte ao G20 ter emitido um comunicado defendendo que a austeridade deve ser seguida, tendo em conta as condições económicas, e ao ministro das Finanças alemão ter dito que a criação de empregos e o crescimento económico devem ser prioritários, atualmente, face à necessidade de equilibrar os orçamentos, Jacob J.Lew citou o exemplo do «duro caminho» da Grécia para defender a primazia no crescimento da economia face às políticas de austeridade impulsionadas pela Alemanha.

«A abordagem à Europa permanece no topo da minha agenda, porque o crescimento [económico] e a criação de empregos nos Estados Unidos estão inextrincavelmente ligados à Europa conseguir crescer e prosperar», disse Lew no Museu da Acrópoles, em Atenas, de acordo com um comunicado citado pela agência Bloomerg, que noticia ainda que, segundo o texto, a expansão e a criação de empregos serão «o foco principal do caminho que há pela frente».

Os líderes europeus têm sido fortemente pressionados para atenuarem a política de austeridade e privilegiarem a criação de empregos e o crescimento económico, fazendo a zona euro sair da recessão em que se encontra, o que também serviria para acelerar o fraco crescimento norte-americano e teria também um impacto positivo no abrandamento económico que atinge a China.

No sábado, a reunião do G20, em Moscovo, enviou «um sinal importante, nomeadamente que todos concordamos que a tarefa mais importante é fortalecer o crescimento económico e criar empregos», e que «o crescimento global é moderado e a recuperação é frágil», disse o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, aos jornalistas, no final das reuniões que decorreram entre quinta-feira e sábado, no âmbito da reunião do G20.

De acordo com os relatos feitos à agência financeira Bloomberg por vários participantes nas reuniões, que se escusaram a ser identificados, a Alemanha pretendia que o comunicado final usasse uma linguagem mais dura, e que contemplasse metas orçamentais de médio prazo, mas foi derrotada pela posição defendida, entre outros, pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul, que pressionaram a Europa a dar prioridade ao crescimento face à redução da dívida pública e do défice orçamental.

Assim, o documento final assinado pelos ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais defende que as políticas orçamentais devem «ser suficientemente flexíveis para levar em linha de conta as condições económicas de curto prazo».