A CGTP acusou esta quarta-feira o Governo português e a troika de violarem os direitos humanos ao imporem uma austeridade que retira à população condições de vida dignas e apelou à participação nas manifestações que estão marcadas para dia 27.

«Assistimos a um problema muito complicado em Portugal: a violação dos direitos humanos», disse em conferência de imprensa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

Arménio Carlos referiu que Portugal ratificou a Declaração dos Direitos Humanos, que estipula que todas as pessoas devem ter «um mínimo de condições para ter uma vida digna, mas não a cumpre, pois atualmente muitas crianças vão para a escola com fome, muitos desempregados não têm qualquer proteção social e muitos idosos não têm dinheiro para medicamentos».

«Ao violarem reiteradamente os direitos fundamentais consagrados na Constituição da República Portuguesa, muitas medidas do Governo afrontam também, direta ou indiretamente, pelas suas consequências, instrumentos jurídicos internacionais a que o país se encontra veiculado», disse o sindicalista, reafirmando a necessidade de demissão do executivo.

Arménio Carlos prometeu que no próximo encontro com a troika, no âmbito da próxima avaliação a Portugal, a CGTP dará conta da sua posição à Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

«Iremos dizer-lhes que as políticas impostas pela troika e pelo Governo estão a violar os direitos humanos, porque o não acesso a cuidados de saúde, à proteção social e a uma alimentação digna representa um crime contra a humanidade», disse aos jornalistas.

O sindicalista apelou aos portugueses para que não se resignem e exijam novas políticas para o país, participando nas marchas de protesto que se realizam em Lisboa e no Porto no dia 27.