O economista João César das Neves disse esta sexta-feira que «não há almoços grátis» e afirmou que a doença responsável pela austeridade é a falta de confiança.

«Ninguém falava de austeridade até a desconfiança emergir com a crise», sublinhou, num encontro subordinado ao tema «A Austeridade Cura? A Austeridade Mata?» promovido pelo CIDEEFF (Centro de Investigação de Direito Europeu, Económico, Financeiro, e Fiscal).

Entre o que considerou serem «falácias» a propósito da austeridade, apontou o facto de se «culpar o tratamento em vez de olhar para a doença» ou esperar por «almoços grátis», sublinhando que não é por causa da saída da troika que os portugueses ficarão mais seguros.

«Há almoços grátis, os muito ricos têm almoços grátis a toda a hora», contrapôs o economista Marc Blyth, autor do livro «Austeridade - Uma ideia perigosa».

Já para o antigo líder do Bloco de Esquerda, o economista Francisco Louçã, a doença da austeridade foi «criada pela disrupção do sistema financeiro» que tomou conta da economia de forma a obter lucros e «está a matar a Europa e Portugal».

A presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodoro Cardoso, assinalou por outro lado que Portugal ficou «preso nas medidas de austeridade» e não criou o espaço orçamental necessário para ter acesso ao financiamento.

«Enquanto não fizermos mudanças [estruturais] não vamos ganhar credibilidade para obter o financiamento de que necessitamos para pôr a economia a funcionar», destacou a economista.

Também para João Ferreira do Amaral, «as políticas de austeridade não resolvem o problema essencial da economia».

O economista considera que o problema fundamental de Portugal «é uma estrutura produtiva muito distorcida e muito pouco competitiva» e o que faz falta é «muito investimento».