A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) lamentou esta quarta-feira a subida da taxa normal do IVA para 23,25% em 2015, mas garantiu que vai continuar a lutar pela sua reposição para os 13%.

De acordo com o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), no próximo ano, com o objetivo de «caminhar para a reforma do sistema de pensões públicas e garantir a sua sustentabilidade» está previsto «um aumento da taxa normal do IVA em 0,25 pontos percentuais, cuja receita adicional reverterá integralmente para os sistemas de pensões».

Em declarações à Lusa, o vice-presidente da AHRESP, Júlio Fernandes, lamentou esta subida, considerando ser uma notícia «muito triste e muito preocupante» para o setor.

«Este aumento acaba por ser um desafio à economia portuguesa, ao qual acresce o aumento da TSU [Taxa Social Única]», acrescentou Júlio Fernandes, salientando que a AHRESP foi «surpreendida» com a subida, já que a sua expectativa era de uma «reposição para os 13%».

O vice-presidente da AHRESP lembrou que esta subida continuará a ter efeitos no setor, nomeadamente no encerramento de empresas e menor empregabilidade, uma vez que a hotelaria «é a área que mais emprega jovens».

Júlio Fernandes salientou que numa reunião entre a AHRESP e a troika os credores internacionais disseram à associação que «nunca tinham exigido o aumento do IVA» para o setor.

«As empresas vão continuar a fechar, a despedir. É um dia muito triste para a restauração, mas vamos continuar a lutar» pela redução do IVA.

«Pode ser que até ao final do ano haja circunstâncias que venham a inverter a situação», comentou o vice-presidente da AHRESP.

«Com este tipo de política quem perde é o país», disse.

Esta subida do IVA «apenas se verificará na taxa normal [atualmente de 23%], mantendo-se inalteradas a taxa mínima e a taxa intermédia», lê-se no DEO.