O Banif disse que o aumento de capital destinado ao público em geral que vai realizar «não implica nenhuma alteração» do interesse da Guiné Equatorial numa participação no banco, o qual se mantém «vivo» com as negociações a prosseguirem «a bom ritmo».

Numa nota interna enviada aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso, a comissão executiva do banco, liderada por Jorge Tomé, dá conta aos trabalhadores da oferta pública de subscrição de ações que vai lançar de até 138,5 milhões de euros para completar o aumento de capital acordado com o Estado, com cada ação a ser vendida a 0,01 euros (um cêntimo) com «tratamento preferencial aos acionistas» do banco.

Segundo o Banif, esta decisão «não implica nenhuma alteração no que se refere ao interesse por parte de investidores da República da Guiné Equatorial» e o banco acrescenta que as negociações nesse sentido «prosseguem a bom ritmo».

O Banif adianta ainda que o investidor da Guiné Equatorial poderá investir no Banif no âmbito da oferta pública ou comprando depois ações no mercado secundário.

Segundo o memorando de entendimento acordado no início do ano entre o banco e a Guiné Equatorial, um investidor deste país africano poderia injetar cerca de 133 milhões de euros no Banif, equivalente a uma participação de 11%.

O Banif justificou hoje, aos trabalhadores, o lançamento de um aumento de capital dirigido ao público em geral com a alteração das condições de mercado, que «tornam favorável» esta operação, devido à redução do risco-país de Portugal, visível na queda das taxas de juro da dívida soberana, e aos sinais de melhoria da economia.

«O interesse do investidor da Guiné Equatorial mantém-se vivo e abre igualmente uma janela de oportunidade de negócio ao Banif, dado o potencial de desenvolvimento daquela economia», acrescenta a nota aos trabalhadores, que refere que a eventual entrada da Guiné Equatorial posicionará o banco como elo de ligação preferencial entre empresas portuguesas e aquela economia africana.

O Banif diz que, «com este aumento de capital, encerra-se o processo de recapitalização» que o banco acordou levar a cabo com o Estado, ficando então «os acionistas privados com a maioria do direito de voto» do capital do banco.

Em janeiro do ano passado, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, ficando como acionista maioritário, sendo que 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas «CoCo bonds», pelas quais o banco paga um juro anual que começa a 9,5%.

Em troca, o Banif ficou obrigado a fazer pagamentos regulares ao Estado para recomprar parte das «CoCo», tendo já devolvido 275 milhões de euros, com o banco a sublinhar na nota hoje divulgada que este valor representa «70% do total».

Até ao momento, o Banif arrecadou 311,4 milhões de euros em quatro aumentos de capital, detendo o Estado português 68,8% do banco, faltando o restante para sair do controlo público.

São os restantes 138 milhões de euros que o banco quer agora ir buscar ao público em geral através da oferta pública de subscrição.

No ano passado, o Banif teve prejuízos de 470,3 milhões de euros, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de resultados negativos, ainda assim menos 19,5% do que os 584,2 milhões de euros de 2012.

A instituição está num processo de reestruturação, que passa também pela diminuição do número de trabalhadores.

Na nota hoje enviada aos colaboradores, a administração do banco diz que, no âmbito deste processo, «o equilíbrio operacional da exploração foi alcançado, pelo que o Banif se apresenta assim mais forte e mais preparado para enfrentar os desafios do futuro, numa conjuntura que dá, igualmente, sinais de melhoria e razões para maior otimismo».