O ex-ministro e economista Augusto Mateus defende que os Açores devem apostar na especialização, na criação de um verdadeiro mercado interno e de uma comunidade regional forte e fazer um caminho próprio de internacionalização.

Augusto Mateus esteve hoje em Ponta Delgada, na conferência "25 anos de Portugal e os Açores na UE", promovida pela Fundação Francisco Manuel dos Santos e a eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves.

O antigo ministro, autor do estudo de 2013 ¿25 anos de Portugal europeu¿, promovido pela mesma fundação, defendeu que os Açores, como todo o país, progrediram nas últimas décadas, mas têm hoje um problema de sustentabilidade.

«A internacionalização é uma dimensão do novo desenvolvimento que Portugal e os Açores têm de fazer», defendeu, sublinhando que não é uma questão de exportações per si, mas de ¿valor acrescentando» àquilo que se exporta.

No caso dos Açores, referiu a «localização geoestratégica», o potencial do mar e a «base ambiental fenomenal».

O futuro do país passa também, segundo Augusto Mateus, pela

valorização das regiões e por estratégias regionais que complementem uma «estratégia nacional forte».

Neste contexto, os Açores devem fazer «o seu próprio caminho de internacionalização» e procurar parceiros próprios, afirmou.

«Um conjunto de ilhas no Atlântico com esta localização geoestratégica tem de perceber que há problemas semelhantes em outras ilhas que não são portuguesas e em outras regiões que têm uma relação privilegiada com a natureza e a biodiversidade que não são portuguesas», afirmou, defendendo que é preciso contrariar a ideia que existe em Portugal «de que tudo passa pelo Governo central».

Para isso, e como ponto de partida, defendeu que os Açores

têm de apostar na criação de um verdadeiro mercado interno e «gerar a sua própria comunidade regional forte».

«Somos aqui nove ilhas, convém acentuar a relação entre elas», afirmou, defendendo uma logística mais bem elaborada, mais mobilidade, mais comunidade».

Depois de mais de 25 anos na União Europeia, Augusto Mateus destacou que os Açores estão hoje no meio da tabela nacional da convergência.