«Teve a ver com o âmbito da definição do mesmo: se devia incorporar ou não análise daquilo que eram as responsabilidades individuais de cada membro ou dos membros dos órgãos sociais». A PT entendeu que «essas diferenças não deviam constar no relatório». A versão final apresenta «só factos, uma análise factual, não incorporando juízos de valor, de ordem jurídica, não englobando considerações sobre a PT»

«Houve da nossa parte uma interpretação um bocado extensiva do objetivo daquele ponto e, possivelmente, até foi abusiva. A definição dos termos de um trabalho como este é feito entre cliente e fornecedor». O cliente julgou necessário «retirar aquilo que nunca lá devia ter estado». O relatório «não passou a incluir juízos de valor que, volto a referir, valeriam, que eram de uma entidade jurídica»

Depois desta explicação, Duarte Marques quis frisar que «os nossos clientes [da Assembleia da República], aqui, são os portugueses, os contribuintes. Para nós é muito importante saber o que era importante e ficou de fora...».

José Alves fugiu a uma resposta concreta. «Nós não consideramos que foi mais ou menos relevante. A única coisa que foi retirada foram as responsabilidades individuais dos órgãos sociais. Essa mesma conclusão pode ser chegada por qualquer outra análise jurídica. Não há limitação nenhuma, relativamente àquilo que é o relatório final. Permite o mesmo tipo de análise, que entretanto tinha sido feita por essa entidade jurídica.

Não lhe consigo dizer, porque não sei... O relatório tem toda a informação suficiente para que sejam feitos juízos semelhantes ou idênticos àqueles que inicialmente constavam no relatório», disse apenas. 

O deputado do PSD pediu o relatório preparatório, anterior ao final, por ser «muito relevante» para os trabalhos da comissão. O presidente da PwC disse que teria de ser pedido pela comissão de inquérito. Duarte Marques deu conta de que já foi solicitado. 

 

Ainda durante a audição, José Alves explicou porque é que a PwC deixou de auditar o BES em 2002, relatando o «clima de tensão» e «desconforto» em relação aos poderes excessivamente concentrados em Ricardo Salgado. Garantiu, ainda, que a PwC informou o Banco de Portugal, mediante a auditoria de dezembro de 2001, das «suspeitas» em relação aos créditos concedidos pelo BES, que poderiam ser investimentos do próprio banco. Ou seja, o supervisor da banca sabe disso há 13 anos, segundo o líder da antiga auditora do BES.