A presidente do parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou, anunciou esta terça-feira a criação de uma comissão internacional de peritos para uma auditoria à dívida pública, coordenada pelo politólogo belga Éric Toussaint.

Em conferência de imprensa, Konstantopoulou afirmou que a Grécia deve auditar a dívida «para saber que parte desta dívida foi utilizada para o bem comum e, como tal, é legal e deve ser paga, e que parte foi mal gasta e, portanto, é ilegal».

De acordo com a Lusa, a responsável, citada pela agência EFE, considerou ainda que a auditoria à dívida «é um dever para com as gerações futuras, porque vão ter de pagar sem terem nenhuma responsabilidade».

Éric Toussaint, porta-voz do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, explicou que os créditos contraídos para pagar contratos fraudulentos são um exemplo da chamada dívida ilegal e apontou os celebrados com a multinacional alemã Siemens depois de subornos a membros do governo socialista grego.

Segundo o conhecido politólogo, a comissão de auditoria vai ter também em conta «os relatórios da Comissão dos Direitos Humanos ou do Conselho da Europa sobre as consequências dos programas de resgate em matéria de direitos humanos na Grécia».

A comissão vai começar a trabalhar em abril e apresentará um relatório no final de junho, numa conferência internacional sobre a dívida.

«É a primeira comissão de auditoria de dívida a ser formada na Europa», sublinhou a deputada do Syriza Sofia Sakorafa, encarregada de comunicar à União Europeia as conclusões da comissão.

Questionada sobre o procedimento a adotar se parte da dívida for considerada ilegal, Konstantopoulou afirmou que as conclusões serão postas à disposição «do Parlamento, do Governo e da Justiça», que «farão o seu dever».