O antigo ministro Augusto Mateus disse esta quinta-feira que o acordo entre PS, BE, PCP e PEV é um acordo para dar “uma oportunidade" aos socialistas de governar e que vai num sentido de "hipervalorizar a margem de manobra" orçamental que existe.

"Há um acordo de dar uma oportunidade ao PS para governar e há um acordo que vai num sentido hipervalorizador da margem de manobra com que estamos. Esse acordo vai muito no sentido de que nós teríamos mais margem de manobra nomeadamente na gestão das finanças públicas do que temos", disse Augusto Mateus, em declarações aos jornalistas no final de uma audiência com o Presidente da República.

Frisando que "não é um acordo de substância para governar", o economista deixou ainda críticas à estratégia de crescimento assente no consumo e no mercado interno, considerando que não será "a mais certa".

"É errado colocar o consumo ou o mercado interno como chave do nosso crescimento económico", sustentou, considerando que o crescimento deve estar assente na internacionalização e no investimento em novos fatores competitivos.

Augusto Mateus referiu ainda que a política económica deve ser crucial no próximo Governo e sublinhou que agora é hora de nos concentrarmos no futuro.

"Não podemos partir das dificuldades do passado, temos que nos concentrar no futuro, o passado é passado. Podíamos ter feito melhor, este ajustamento que estamos ainda a meio podia ter sido menos financeiro, podia ter sido com muito mais atenção à economia, podia ter sido mais inteligente, podia ter sido mais equilibrado socialmente. Mas, agora temos de equilibrar a dimensão financeira e a dimensão económica", preconizou.

Augusto Mateus foi o último dos sete economistas que o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, ouviu hoje em Belém, na sequência da aprovação a 10 de novembro de uma moção de rejeição do programa do Governo por todos os partidos da oposição, derrubando assim o executivo de coligação PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho.

Durante a manhã foram recebidos Vítor Bento, Daniel Bessa, João Salgueiro e Luís Campos e Cunha, enquanto à tarde passaram por Belém Teixeira dos Santos, Bagão Felix e Augusto Mateus.

A última audiência foi a do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, o único que não quis prestar declarações aos jornalistas.

Na sexta-feira, o Presidente da República irá ouvir os partidos com assento parlamentar.