José Manuel Macedo Pereira, revisor oficial de contas (ROC) e auditor do Grupo Espírito Santo, foi o primeiro a ser ouvido pelos deputados, na comissão de inquérito ao BES, quando as audições foram retomadas, já em 2015. A sua prestação durou três horas e meia.

Adiantou que Salgado foi seu colega de curso e é um homem a quem deve «favores». Apesar da amizade, não se coibiu de corrigir o ex-presidente do BES, garantindo que ele pagou o que devia na sequência da retificação das suas declarações fiscais, sobre património não declarado.

O resumo da audição em 7 pontos:

1 - Foi convidado, «há três ou quatro anos», para fazer parte da comissão de auditoria do BES, mas não aceitou, para «preservar» a amizade com Ricardo Salgado. «Não fui daquele que entro mudo e saio calado». «Tendo oportunidade de estar ao pé dele profissionalmente, não estaria»

2 - Denunciou as «situações confrangedoras» de quem viu a «lamber as botas ao Dr. Ricardo Salgado, que era um homem de poder»

3 - Quanto à ocultação de passivo na Espírito Santo Internacional (ESI), que precipitou a derrocada do GES e do BES, o ROC disse que um erro de 1.300 milhões «não é normal» 

4 - Garantiu que «não conhecia» o contabilista Francisco Machado da Cruz e que «não tinha acesso às contas da ESI».

5 - «Quando alguém quer enganar alguém, engana». É mais um a corroborar esta conclusão. Frisou, porém, que quando o revisor de contas e o auditor notam algum facto irregular se processa, já vêm tarde, porque a operação já se processou

6 -  «Se Salgado diz que pagou a mais ao Estado, está errado». Ex-presidente do BES utilizou o Regime Extraordinário de Regularização Tributária por várias vezes, para regularizar património não localizado em Portugal que não foi declarado ao fisco, permitindo pagar uma taxa única mais baixa. Macedo Pereira assessorou a operação, mas diz que Ricardo Salgado pagou tudo o que devia e é ele «o responsável pelas suas declarações fiscais»

7 - Uma delas, teve que ver com a polémica prenda de 14 milhões de euros do construtor José Guilherme, classificada como «liberalidade». «Como fiscalista, não concordo»

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«Se Salgado diz que pagou a mais ao Estado, está errado»

Macedo Pereira recusou cargo para «preservar» amizade com Salgado